Tekoá Araçá-í, caminhando e aprendendo com a espaço temporalidade entre os processos de Ara Ymã e Ara Pyau
DOI:
https://doi.org/10.14393/RCT205877636Palavras-chave:
calendário Mbyá Guarani, comunidade indígena, conhecimento tradicional indígenaResumo
Este artigo apresenta inicialmente uma caracterização da Tekoá Araçá-í, uma comunidade Mbyá Guarani localizada em Piraquara, Paraná, e descreve o processo de construção do calendário Mbyá Guarani da Escola Estadual Indígena Mbyá Arandu. Utilizando a metodologia da observação participante, o estudo aborda o relacionamento entre a comunidade e seu entorno. A sistematização do calendário reflete o espaço tempo Mbyá Guarani, expresso na simbiose entre os elementos naturais, o seu modo de existência vinculado aos rituais que marcam a passagem da espaço temporalidade, orientada pelos ciclos solares, lunares, pelas mudanças de tipos de tempo, vistas nas transformações espaciais. O calendário detalha os ciclos de Ara Pyau (tempo novo) e Ara Ymã (tempo velho), cuja passagem é marcada por rituais e práticas agrícolas e territoriais fundadas na cosmo-ecologia do povo Mbyá, onde se valoriza o respeito e reconhecimento dos ciclos naturais e da ancestralidade. A partir da Agroecologia ressalta-se a importância de um posicionamento de escuta e aprendizado para a compreensão dessas cosmologias, ontologias e epistemologias.
Downloads
Referências
ALTIERI, M. Agroecologia: a dinâmica produtiva da agricultura sustentável. 4. ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2004.
AUZANI, S. C. da S.; GIORDANI, R. C. F. Inter-relações entre espaço físico, modo de vida Mbyá-Guarani e alimentação na perspectiva da segurança alimentar: Reflexões sobre a área indígena Araça-í em Piraquara/PR. Espaço Ameríndio, Porto Alegre, v. 2, n. 1, p. 129-165, 2008. DOI: https://doi.org/10.22456/1982-6524.3115
BANIWA, G. Educação escolar indígena no século XXI: encantos e desencantos. Rio de Janeiro: Mórula; Laced, 2019.
BARBOSA, T. B. As dádivas que vêm da mata: Espaços, histórias e trajetórias na sobreposição socioambiental entre a Tekoa Kuaray Haxa e a reserva biológica Bom Jesus (Guaraqueçaba-PR). 2022. 141 f. Dissertação (Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento) - Setor de Ciências Agrárias, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2022.
BERGAMASCHI, M. A.; MELO, D. C. S. Karaí Arandú na Bienal do Mercosul: educação guarani como possibilidade para uma estética decolonial. Revista Brasileira de Estudos da Presença, v. 8, p. 719-749, 2018. DOI: https://doi.org/10.1590/2237-266078816
BORGES, L. C. Os Guarani Mbyá e a categoria tempo. Tellus, Campo Grande, v. 2, n. 2, p. 105-122, 2014.
BRASIL. Lei n. 9.985, de 18 de julho de 2000. Regulamenta o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 19 jul. 2000.
CAVALLO, G. A. Conhecimentos ecológicos indígenas e recursos naturais: a descolonização inacabada. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, v. 13.1, p. 85-102, 2018.
CORREA XAKRIABÁ, C. N. O barro, o genipapo e o giz no fazer epistemológico de autoria Xakriabá: reativação da memória por uma educação territorializada. 2018. 218 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais) – Universidade de Brasília, Brasília, 2018. Disponível em: http://repositorio.unb.br/handle/10482/34103. Acesso em: 28 maio 2025.
COSSIO, R. R. Etnoecologia caminhante, oguata va”e, em trilhas para descolonização de relações interculturais: Circulação de pessoas e plantas Mbya Guarani entre Brasil e Argentina. 2015. 222 f. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Rural) - Faculdade de Ciências Econômicas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2015.
CUNHA, M. C.; ELISABETSKY, E. Agrobiodiversidade e outras pesquisas colaborativas de povos indígenas e comunidades locais com a academia. In: UDRY, C.; EIDT, J. S. Conhecimento tradicional: conceitos e marco legal. Brasília: Embrapa, 2015. p. 201-226.
FARIAS, J. M.; HENNIGEN, I. A Tekoá Ka’aguy Porã: espaço ancestral e produção de subjetividade Mbya-Guarani. Psicologia: Ciência e Profissão, Rio Grande do Sul, v. 39, n.spe, p. 53-66, 2019. DOI: https://doi.org/10.1590/1982-3703003221659
FEIJÓ, C. T. Entre Humanos, Deuses e Plantas: Uma etnografia sobre as perspectivas Mbyá Guarani na manutenção das kokue contemporâneas. 2015. 135 f. Dissertação (Mestrado em Antropologia) - Instituto de Ciências Humanas, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2015.
FELIPIM, A. P. O Sistema Agrícola Guarani Mbyá e seus cultivares de milho: um estudo de caso na aldeia Guarani da Ilha do Cardoso, município de Cananéia SP. 2001. 135 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais) - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. Piracicaba: Esalq-USP, Brasil, 2001.
FELIPIM, A. P.; QUEDA, O. O sistema agrícola Guarani Mbyá e seus cultivares de milho: um estudo de caso. Interciência, Caracas, v. 30, n. 3, p. 143-150, 2005.
FELIX, F. M. et al. MBA’ETU AYVU RAPYTA: Língua (Gem) E Educação Linguística Numa Pesquisa-Ação Com Professores Da Escola Indígena Mbya Arandu. Revista De Letras-Juçara, Maranhão, v. 6, n. 2, p. 165-195, 2022. DOI: https://doi.org/10.18817/rlj.v6i2.3036
GEERTZ, C. A Interpretação das Culturas. 1. ed. Rio de Janeiro, 1973.
GÓES, L. M.; FERNANDES, N. G.; BARBOSA, R. G. Silenciar, escutar, conviver, resistir e sonhar: aprendizados na Escola Mbya Arandu. Revista Brasileira de Educação, v. 27, p. 1-22, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/s1413-24782022270042
GUHUR, D.; SILVA, N. R. Verbete Agroecologia. In: DIAS, A. P. et al. (org.). Dicionário de Agroecologia e Educação. São Paulo; Rio de Janeiro: Expressão Popular, 2021. p. 59-73.
HURTADO, L. M.; PORTO-GONÇALVES, C. W. Resistir y re-existir. GEOgraphia, v. 24, n. 53, 2022. DOI: https://doi.org/10.22409/GEOgraphia2022.v24i53.a54550
KAUFMANN, M. P.; WIZNIEWSKY, J. G. Bases Epistêmicas da Agroecologia. 1. ed. 99p. Santa Maria. UFSM, NTE, UAB. 2021.
LADEIRA, M. I. O caminhar sob a luz - Território Mbyá à beira do oceano. São Paulo: UNESP, 2007.
LADEIRA, M. I. GUATA PORÃ: Belo Caminhar. Versão Online. São Paulo: Centro de Trabalho Indigenista - CTI, 2015a.
LADEIRA, M. I. Espaço geográfico Guarani-Mbya: significado, constituição e uso. Versão Online. São Paulo: Centro de Trabalho Indigenista–CTI, 2015b.
LADEIRA, M. I.; COSSIO, R. R. Contribuições dos Guarani à biodiversidade na área da Mata Atlântica – Ka’aguy ete. In: CUNHA, M. C; MAGALHÃES S. B.; ADAMS C. (org.). Povos tradicionais e biodiversidade no Brasil: contribuições dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais para a biodiversidade, políticas e ameaças. São Paulo: SBPC, 2021.
LOPES, K. C. S. A.; MONTEIRO, G. R. F. de F.; LOPES, P. R. Ecologia Política, Agroecologia e Comunidades Tradicionais. SAPIENS-Revista de divulgação Científica, Carangola, v. 4, n. 2, p. 4-8, 2022. https://doi.org/10.36704/sapiens.v4i2.7322
LUCIANO, G. dos S. Educação Indígena. In: LUCIANO, G. dos S. et al. O índio brasileiro: o que você precisa saber sobre os povos indígenas no Brasil de hoje. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade; LACED/Museu Nacional, 2006.
MELIÀ, B. A terra sem mal dos Guarani: economia e profecia. Revista de Antropologia, São Paulo, v. 33, p. 33-46, 1990. DOI: https://doi.org/10.11606/2179-0892.ra.1990.111213
MENDES, L. Retomar a vida nos (des) trozos, modos guarani de habitar florestas em Misiones, Argentina. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, v. 29, n. 66, 2023. DOI: https://doi.org/10.1590/1806-9983e660402
MOREIRA, M. Visão Guarani sobre o Tekoa: Relato do pensamento dos anciões e líderes espirituais sobre o território. Monografia (Graduação em Licenciatura Intercultural Indígena) - UFSC. Florianópolis, 2015.
MOREIRA, G.; MOREIRA, W. C. Calendário cosmológico: os símbolos e as principais constelações na visão guarani. Suplemento antropológico, Florianópolis, n. 50, p. 325-379, 2015.
NOELLI, F. S. et al. Ñande reko: fundamentos dos conhecimentos tradicionais ambientais Guaraní. Revista Brasileira de Linguística Antropológica, Brasília, v. 11, n. 1, p. 13-45, 2019. DOI: https://doi.org/10.26512/rbla.v11i1.23636
NORDER, L. A. C. et al. Agroecologia em terras indígenas - uma revisão bibliográfica. Espaço Ameríndio, Porto Alegre, v. 13, n. 2, p. 291-329, jul./dez. 2019. DOI: https://doi.org/10.22456/1982-6524.88858
NUNES, T. M. D. Conhecimento tradicional Guarani Mbya sobre Abelhas Indígenas Sem Ferrão: Implantação da Meliponicultura como uma contribuição à valorização da cultura e sustentabilidade na Mata Atlântica do Paraná. 2021. p.186. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Territorial Sustentável) – Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Territorial Sustentável, Universidade Federal do Paraná/Setor Litoral, Matinhos, 2021.
OLIVEIRA, D. Território histórico e transformações contemporâneas da paisagem Guarani. In: CUNHA, M. C; MAGALHÃES S. B.; ADAMS C. (org.). Povos tradicionais e biodiversidade no Brasil: contribuições dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais para a biodiversidade, políticas e ameaças. São Paulo: SBPC. 2021. p. 217-220.
PERALTA, A. A Agroecologia Kaiowá: tecnologia espiritual e bem viver, uma contribuição dos povos indígenas para a educação. MovimentAção, Dourados, v. 4, n. 06, p. 01-19, 2017. DOI: https://doi.org/10.30612/mvt.v4i06.7542
PERALTA, A. Tecnologias espirituais: reza, roça e sustentabilidade entre os Kaiowá e Guarani. 2022. 92 f. Dissertação (Mestrado em Educação e Territorialidade) - Faculdade intercultural Indígena, Universidade Federal da Grande Dourados, Dourados. 2022.
PEREIRA, G. de S. et al. Ecologia histórica Guarani: as plantas utilizadas no bioma Mata Atlântica do litoral sul de Santa Catarina, Brasil (Parte 1). Cadernos do LEPAARQ (UFPEL), Pelotas, p. 197-246, 2016. DOI: https://doi.org/10.15210/lepaarq.v13i26.7608
PERUZZO, C. M. Krohling. Pressupostos epistemológicos e metodológicos da pesquisa participativa: da observação participante à pesquisa-ação. Estudios sobre las culturas contemporáneas, v. 23, n. 3, p. 161-190, 2017.
PERUZZO, G. do A. O fogo e o ancião: poéticas do sagrado-cotidiano junto a uma família Mbyá Guarani na Tekoá Pindó Mirim. 2021. p. 338. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Rural) - Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural, Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. 2021.
PORTAL CATARINAS. Kerexu Yxapyry fala sobre nhanderekó, o Bem Viver no modo de vida Guarani, 2021. Disponível em: https://catarinas.info/kerexy-yrapyry-fala-sobre-o-nhandereko-o-bem-viver-ao-modo-guarani/. Acesso em: 8 abr. 2024.
SANTOS, A. B.; PEREIRA, S. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora, 2023.
SCHAAN, E. S. Uns Guarani: os Mbya e suas alteridades: parentesco, movimento e tempo, 2018. p. 242. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre. 2018.
SCHADEN, E. Aspectos fundamentais da cultura guarani. 3. ed. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária, 1974.
SILVA, A. P. da. Saberes tradicionais Tupi: estar junto, aprender, Nhembojera. Cadernos CEDES, v. 39, n. 109, p. 379-396, 2019. DOI: https://doi.org/10.1590/cc0101-32622019216679
SILVA, N. Tekoa Araçá-í: Território Mbyá Guarani. 79 f. Monografia (Licenciatura em Educação do Campo) - Setor Litoral, Universidade Federal do Paraná, Matinhos, 2023.
SILVEIRA, D. S. da. Etnoconhecimentos Indígenas e Manejo Sustentável da Biodiversidade. Culturas e Histórias dos Povos Indígenas no Brasil: novas contribuições ao ensino. In: MANO, M.; CAMARGO, B.; SANTOS, B. (org.). Culturas e Histórias dos Povos Indígenas no Brasil: novas contribuições ao ensino. Uberlândia: Gráfica Digital Eireli, p. 280-324, 2015.
SOUZA FILHO, C. F. M. Terra mercadoria, terra vazia: povos, natureza e patrimônio cultural. InSURgência: revista de direitos e movimentos sociais, v. 1, n. 1, p. 57-71, 2015. DOI: https://doi.org/10.26512/insurgncia.v1i1.18789
TAKUÁ, C. Teko Porã, o sistema milenar educativo de equilíbrio. Rebento, São Paulo, v. 8, n. 9, p. 5-8, dez. 2018.
TERRA Indígena Araçai (Karuguá). Terras Indígenas, 2024. Disponível em: https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/4973. Acesso em: 25 jan. 2024.
TERRAS INDÍGENAS NO BRASIL. Disponível em: https://terrasindigenas.org.br/ . Acesso em: 28 ago. 2024.
TOLEDO, V. M.; BARRERA-BASSOLS, N. Memória Biocultural: A importância ecológica das sabedorias tradicionais. São Paulo: Editora Expressão Popular, 2015.
VARGAS, F. dos S. Experiências enquanto educador pesquisador, diálogos entre a cartografia social e a educação escolar indígena. In: ENCONTRO NACIONAL DE GEÓGRAFAS E GEÓGRAFOS, 20., 2022, Passo Fundo. Anais eletrônicos. Passo Fundo: Associação dos Geógrafos Brasileiros – AGB, 2022. Disponível em: https://www.eng2022.agb.org.br/arquivo/downloadpublic. Acesso em: 27 ago. 2024.
VASCONCELOS, B. N. F. et al. O conhecimento ameríndio no manejo dos ecossistemas florestais: Uma breve revisão. Revista Brasileira de Agroecologia, Rio de Janeiro, v. 18, n. 1, p. 416-433, 2023. DOI: https://doi.org/10.33240/rba.v18i1.23690
VERDEJO, M. E. Diagnóstico rural participativo: guia prático. 3. ed. Brasília: MDA, 2010.
WILLRICH, C. Presença Guarani no litoral do Paraná: aprendendo com o Nhanderekó. 2020. 76 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Paraná, Setor Litoral, Programa de Mestrado em Desenvolvimento Territorial Sustentável, Matinhos, 2020.
ZOCCOLI, U. S.; CASTANHEIRA, N. P. O ritual do Kaá dos Mbyá-Guarani da aldeia Araçaí de Piraquara-PR. Revista Intersaberes, v. 7, n. 14, p. 388-403, 2012.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Lunamar Cristina Morgan, Paulo Rogério Lopes, Keila Cássia Santos Araújo Lopes, Ângela Massumi Katuta

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.






















