Trajetória histórico-geográfico da cafeicultura no Sul de Minas: da produção local à agricultura mundial
DOI:
https://doi.org/10.14393/RCT216281741Parole chiave:
meio técnico-científico-informacional, formação socioespacial, modernização agrícola, financeirização da agricultura, cadeias globais de valorAbstract
O presente artigo analisa a formação socioespacial e a trajetória histórico-geográfica da cafeicultura no Sul de Minas Gerais, investigando a transição de uma produção de consumo local para uma atividade econômica de escala mundial. O objetivo consiste em compreender como eventos, atores e instituições relacionaram-se dialeticamente na produção do espaço regional, substituindo o "tempo lento" pela rapidez da globalização. A metodologia estrutura-se em uma abordagem histórico-geográfica fundamentada na teoria de Milton Santos, utilizando levantamento bibliográfico e dados da Produção Agrícola Municipal (PAM/IBGE) para realizar uma periodização entre o século XIX e a atualidade. Os resultados demonstram que a consolidação da região como maior produtora de café do mundo decorreu da evolução das técnicas, da expansão das redes de transporte e de intervenções estatais decisivas, como a criação do Instituto Brasileiro do Café (IBC) e do Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR). Conclui-se que o avanço do meio técnico-científico-informacional e a recente entrada de multinacionais no território intensificaram a especialização produtiva e o processo de financeirização da agricultura na região, inserindo a cafeicultura nos fluxos do mercado financeiro global e na era da agricultura digital.
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