Ofensiva neoliberal nas áreas de Reforma Agrária: um diálogo com os(as) educadores(as) do Colégio Estadual do Campo Iraci Salete Strozak em Rio Bonito do Iguaçu-PR
DOI:
https://doi.org/10.14393/RCT206179517Palavras-chave:
áreas de Reforma Agrária, assentamento, acampamento, conservadorismo, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)Resumo
O objetivo do artigo é evidenciar o processo de ofensiva neoliberal nas áreas de Reforma Agrária a partir do diálogo com os(as) educadores(as) do Colégio Estadual do Campo Iraci Salete Strozak, localizado no Assentamento Marcos Freire em Rio Bonito do Iguaçu-PR. Metodologicamente, adota os moldes da pesquisa teórico-bibliográfica de cunho qualitativo, sendo a área de abrangência a área da Geografia Agrária, com investigação à campo no colégio citado. Do estudo realizado foi possível constatar que a ofensiva neoliberal nas áreas de Reforma Agrária se manifesta a partir dos seguintes elementos: perda da identidade Sem Terra, organização territorial em moldes neoliberais, desmonte das políticas públicas das áreas de Reforma Agrária, precarização do trabalho, meritocracia e conservadorismo. No entanto, há o reconhecimento crítico por parte dos(as) educadores(as) bem como dos coletivos que constituem o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em relação à conjuntura que atravessam, os quais vêm buscando enfrentar esta realidade que apresenta questões que complexificam o entendimento sobre o neoliberalismo neste tempo histórico-geográfico, isto é, enquanto um neoliberalismo contemporâneo impregnado pelo conservadorismo que o retroalimenta. Logo, demarca-se a importância de compreensão coletiva para superar a ofensiva neoliberal nos territórios de Reforma Agrária.
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