O léxico como eixo da acessibilidade científica
terminologia, compreensão e a reformulação intralingual
DOI:
https://doi.org/10.14393/Lex-v11a2026-8Palavras-chave:
Léxico especializado, Acessibilidade textual e terminológica, Terminologia , Reformulação intralingual, Comunicação científicaResumo
Este artigo analisa teoricamente o papel do léxico especializado na construção da acessibilidade de textos científicos dirigidos a leitores não especialistas. Parte da constatação de que a ampliação do acesso à informação científica, favorecida pela digitalização e pela diversificação dos canais de divulgação, não assegura, por si, a compreensão do conhecimento pelo público, o que torna necessário examinar as condições linguísticas que permitem sua apropriação. Entre essas condições, destaca-se o léxico especializado, entendido não como inventário de rótulos aplicados a conceitos previamente formados, mas como componente que organiza, relaciona e comunica o saber científico. O estudo, de natureza teórico-bibliográfica, qualitativa e crítico-conceitual, articula contribuições das Ciências do Léxico, da Terminologia e dos estudos sobre acessibilidade textual, sem constituir revisão sistemática, pesquisa empírica ou proposta de modelo. Discute-se, inicialmente, a distinção funcional entre palavra e termo, sustentando que o valor especializado de uma unidade se ativa no contexto e no gênero, e não em sua forma. Em seguida, examinam-se as dimensões lexicais que podem dificultar a compreensão, como familiaridade, densidade, opacidade conceitual e extensão sintagmática, argumentando que a complexidade é relativa ao leitor e que índices quantitativos constituem apenas estimativas. Distinguem-se, então, a complexidade textual como condição relativa, a simplificação como processo e a Acessibilidade Textual e Terminológica como condição desejada de funcionamento do texto para um público definido. A noção de reformulação intralingual é mobilizada como hiperônimo das operações de tratamento do léxico, que incluem a manutenção acompanhada de explicação, a definição, a paráfrase, a exemplificação e a substituição contextualizada. O artigo defende quatro proposições centrais: nem todo termo precisa ser eliminado; uma palavra familiar pode representar um conceito desconhecido; a substituição lexical pode modificar o conceito; e precisão terminológica e compreensão do leitor podem ser compatíveis. Conclui-se que o problema da acessibilidade não reside necessariamente na presença da terminologia, mas na ausência de condições linguísticas, discursivas e conceituais para que o leitor dela se aproprie. Reconhecem-se os limites de um estudo conceitual, cujas proposições demandam verificação empírica com textos e leitores reais, e aponta-se a necessidade de pesquisas que articulem a reflexão das Ciências do Léxico à observação da recepção efetiva do léxico especializado.
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