v. 21 n. 2 (2025): Dossiê - Epistemologia da Pesquisa em Artes Visuais: aportes teórico-metodológicos

Imagem do Ensaio Visual de Priscilla Pessoa

 Esse dossiê tem por objetivo reunir um conjunto de artigos que abordem aspectos metodológicos nas pesquisas em Artes Visuais, bem como no seu campo educacional. Entendemos por aspectos metodológicos: a) o método como lógica de construção do conhecimento, adotado conscientemente em investigações artísticas e educacionais, servindo de base para desdobramentos metodológicos; b) abordagens qualitativas sustentadas epistemologicamente em consonância com o método adotado; c) tipos de pesquisa que orientam modos de aproximação com o campo investigativo; d) procedimentos que detalham os instrumentos de investigação, abrangendo processos de coleta e/ou produção de dados, sua organização, análise e formas de divulgação do trabalho investigativo e de seus resultados.

A temática deste dossiê se mostra significativa, uma vez que as discussões metodológicas no campo das Artes Visuais, no Brasil, ainda:

  1. Carecem de maior atenção e de uma cultura que as valorize como aspecto teórico e epistemológico essencial, não apenas para pesquisadores que investigam a própria produção, mas também como parte integrante da criação artística e da prática educacional.
  2. São frequentemente pensadas de maneira desconectada em nossos fazeres como pesquisadores, artistas e educadores. Embora sejamos seres de múltiplas práticas, o método, entendido como lógica de construção do conhecimento formal, reflete um modo de ser e estar no mundo. Consciente ou não, ele permeia nossas ações, o que evidencia a necessidade de dialogar e compreender os diferentes modos de apreensão da realidade e seus meios de produção.
  3. São marcadas por concepções diversas e, muitas vezes, por definições imprecisas aplicadas a abordagens, tipos de pesquisa e procedimentos.
  4. Demandam um olhar mais atento para a conexão entre os modos de pensar e de fazer do artista, pesquisador e educador. Embora cada um tenha sua lógica singular, essas práticas podem se articular por meio da escolha e do domínio de um método como eixo estruturante na produção de conhecimento. Assim sendo, urge um debate mais aprofundado sobre o campo metodológico.
  5. Requerem a ruptura com a visão de que a adoção de um método e de metodologias limita a criatividade e a liberdade do pensamento. Essa perspectiva reducionista trata o método como uma "forma" fixa, com regras preestabelecidas a serem seguidas, como se houvesse "receitas" prontas para pesquisas e criações artísticas.
  6. Exigem uma compreensão mais ampla de que o método é, antes de tudo, um conjunto de escolhas sobre o que e como investigar, ensinar ou construir uma dada realidade, pois o método apenas oferece diretrizes sobre os tipos de informações e como produzi-las, mas o percurso – com seus caminhos, desvios e pontos de chegada – é construído pelo pesquisador, artista ou educador.

Muitas outras justificativas poderiam ser listadas, mas acreditamos que um dossiê construído de forma coletiva, com a contribuição de diferentes pesquisadores e pesquisadoras, pode oferecer múltiplas lentes para refletirmos sobre os aspectos metodológicos no campo das Artes Visuais. Portanto, buscamos consolidar, na diversidade desses olhares e vozes, modos de pensar, fazer e educar em arte, ampliando a compreensão científica das metodologias em suas múltiplas possibilidades.

                                                                                                                                        

Elsieni Coelho da Silva (UFU)

Paulo César Antonnini Souza (UFMS)

Bruno Póvoa Rodrigues (UFU)                                                                           

(Editores)

Publicado: 2026-05-04

Editorial

  • Editorial

    Bruno Póvoa Rodrigues, Elsieni Coelho da Silva, Paulo César Antonnini Souza
    8-13

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