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Dossiê Devires Decoloniais: Resistências, Impasses, Estratégias

Editores convidados: Alexandre Sá (UERJ) e Marco Antônio Vieira (UEPG)

A mobilização decolonial como possibilidade de pensamento e abordagem para a produção artística, suas teorizações, histórias e valorações críticas, é também o resultado do empreendimento epistêmico e cultural, em curso há pelo menos três décadas, identificado como ‘giro decolonial’, cujas materializações integram um projeto mais amplo, com desdobramentos atravessados pela imprevisibilidade de suas ocorrências através de estruturas rizomáticas. Tais ações híbridas, deambulatórias, instáveis e entrópicas guardam uma potencialidade de contágio mais efetivo que eventuais proposições teóricas que sejam supostamente capazes de desafiar o narcisismo histórico eurocêntrico.

Cada nova emergência que o projeto decolonial atualiza, se não cooptado pelos regimes discursivos da tradição, é capaz de escavar e promover um outro lugar de enunciação e de resistência para aquelas e aqueles sentenciades ao silenciamento e à invisibilidade, frutos históricos do colonialismo, invadindo suas sobrevivências sob a lógica de infiltrações fantasmais.

O desejo de desmonte crítico da urgência decolonial é efeito inevitável de uma arena de disputas simbólicas e territoriais: resiste-se a suas investidas, que implicam o abandono de ferramentas e crenças teóricas, longamente cultivadas pela epistemologia ao redor da arte no Ocidente. Tais resistências convertem-se não apenas em meros obstáculos, mas, se partidárias de um processo audacioso, em operações a serem problematizadas pelos discursos, promovendo um imbricado jogo de narrativas que não prioriza quaisquer posições hegemônicas.

Como nos instrui Walter Mignolo em La idea de America Latina “o giro decolonial é a abertura e a liberdade de pensamento e das formas outras de vida, economias-outras, teorias-outras das políticas, a limpeza das colonialidades do ser e do saber, o desprendimento da retórica da modernidade e de seu imaginário imperial”.

Nesse sentido, as iniciativas nomeadas ativistas, nos campos da teoria, curadoria, crítica e história da arte constituem-se, ao menos em tese, como possíveis episódios da escrita de outridades epistêmicas e estéticas que não se autorizem como meras equivalências especulares do eurocentrismo, mas que que sejam capazes de repensar criticamente o legado e a ferida colonialistas, apontando para potências e possibilidades inexploradas a partir de outros vocabulários, repertórios, sistemas, poéticas e ecologias.

Importante sinalizar que a decolonialidade é aqui compreendida a partir de suas fricções e imbricações interseccionais (Kimberlé Crenshaw), em que raça, sexo, gênero, classe e inserção geopolítica, por exemplo, adensam a complexidade, e as respectivas análises, dos processos e mecanismos a governar os vieses discursivos que informam o Sistema das Artes como campo tensional de saberes e fazeres.

Este dossiê propõe que as submissões abordem as seguintes questões:

a) Ativismos: ações, exposições e curadorias que desafiem a ontologia da arte ocidental, sua episteme visual, teórica e historiográfica;

b) Impasses, estratégias, encruzilhadas e negociações impostas aos campos da Teoria, História e Crítica de Arte a partir dos desdobramentos do ‘giro decolonial’;

c) Efeitos da mobilização anticolonial para a produção artística atual. Como pensar a obra de arte em um contexto que impõe um desprendimento das categorias de ‘autonomia estética’ e sua crítica implícita aos critérios e ferramentas ‘formais’? Quais outros pensamentos, visualidades e epistemes possíveis para lidar com o que se produz? ;

d) É possível e/ou mesmo desejável manter um diálogo crítico que evite a subalternização implícita na equação binária entre legado eurocêntrico e epistemes-outras a emergir no horizonte decolonial, promovendo um campo crioulizado, como o definiria Édouard Glissant?

e) Como lidar com o extrativismo identitário e cognitivo instrumentalizado pelo sistema de arte e suas várias instâncias legitimadoras? Quais ameaças agravariam a assimetria denunciada pelo discurso e estratégias decoloniais em vez de contribuir para a sua gradual erosão?

 

As contribuições deverão estar em conformidade com as normas da revista, cujas diretrizes de publicação constam no endereço: http://www.seer.ufu.br/index.php/ouvirouver/about/submissions

Todas as submissões deverão ser enviadas para a plataforma da revista até 16 de outubro de 2022.

Outras contribuições com temas variados seguirão em sistema de fluxo contínuo.

Atenciosamente,

Equipe Editorial da Revista ouvirOUver

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Chamada encerrada para o Dossiê Educação Musical e/no cotidiano: experiências, dilemas, perspectivas

Editora convidada: Jusamara Vieira Souza (UFRGS)

Este dossiê pretende reunir artigos que contemplem pesquisas, relatos de experiências, reflexões sobre a educação musical compreendida a partir das perspectivas teóricas sobre a vida cotidiana, que vêm sendo trabalhadas nos mais diversos campos do conhecimento. Com a proposição desta temática espera-se tratar das contribuições teóricas, metodológicas, ontológicas e epistemológicas dessa perspectiva para a área de Educação Musical.

As questões e reflexões neste campo são variadas e deixamos, como sugestões, alguns eixos temáticos que poderão ser abordados:

  • Teorias da vida cotidiana e reflexões para a educação musical na contemporaneidade: campos intersecionados, conceito e ideias
  • Possibilidades teórico-metodológicas de pesquisas com o cotidiano: narrativas (auto)biográficas, histórias de vida, estudo de caso, pesquisa participante, entre outras
  • Práticas musicais na vida cotidiana de diferentes grupos sociais
  • Diferentes espaços e tempos de formação musical e processos pedagógico-musicais
  • Formas de socialização presentes na educação musical
  • Espaços, tempos e sociabilidades na educação musical
  • Transformações digitais, tecnologias e seus impactos na educação musical
  • Cotidiano escolar, práticas musicais, processos educativo-musicais, currículos e formação de professores
  • Educação musical no cotidiano: Dimensões éticas e políticas, desigualdades sociais, democracia, acesso
  • Educação musical na perspectiva das teorias do cotidiano e suas articulações com os temas atuais: pandemia, raça, gênero, sexualidades e corpos, diversidade, direitos humanos, vulnerabilidade social e outros fenômenos relevantes
  • Educação musical, cotidiano, infâncias, juventudes e fenômenos intergeracionais
  • Cotidiano, trabalho e vida profissional de educadores musicais entre outros aspectos

As contribuições deverão estar em conformidade com as normas da revista, cujas diretrizes de publicação constam no endereço: http://www.seer.ufu.br/index.php/ouvirouver/about/submissions

Todas as submissões deverão ser enviadas para a plataforma da revista até 30 de junho de 2022.

Outras contribuições com temas variados seguirão em sistema de fluxo contínuo.

Atenciosamente,

Equipe Editorial da Revista ouvirOUver

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Chamada encerrada para o Dossiê Ilo Krugli e seu indomável Ventoforte

Editores convidados: Narciso Telles (UFU) e Ana Carolina Paiva (CApUERJ)

Esse dossiê objetiva refletir a produção, suas ressonâncias na cena contemporânea e homenagear um dos mais importantes artistas da cena teatral brasileira: Ilo Krugli (1930- 2019), criador do grupo Ventoforte, e uma referência para o teatro infanto-juvenil, o teatro de animação e para a arte-educação no Brasil. Sua chegada ao Brasil nos anos 1960 e seu vínculo com a Escolinha de Arte do Brasil alicerçam técnicas e experiências fundamentais para o trabalho como educador e para a animação de objetos, inaugurando um novo de pensar e fazer teatral para crianças. Música, dança, brincadeira e poesia fazem parte do teatro desse artista que, em meio a retalhos, sucatas, bordados, bonecos, atores e público, tece o espírito de festa que caracteriza os espetáculos e ações pedagógicas do Teatro Ventoforte. Sempre defendendo as qualidades das encenações e dramaturgias dedicadas ao público infantil, Krugli nos legou obras fundamentais para o teatro infanto-juvenil, como “A História de um Barquinho” e “Histórias de Lenços e Ventos”.

Serão bem-vindos, neste dossiê, textos que se proponham revisitar a trajetória e obras de Ilo Krugli e suas ressonâncias na cena e no ensino de teatro. Para tanto, os trabalhos podem se aglutinar aos seguintes temas:

  • Ilo Krugli e a arte-educação no Brasil;
  • Cena e manifestações culturais e populares;
  • Teatro Ventoforte: ações pedagógicas e artísticas;
  • História e memória do teatro infanto-juvenil;
  • Música e cena: a experiência do Teatro Ventoforte;
  • Dramaturgia no teatro infanto-juvenil.

As contribuições deverão estar em conformidade com as normas da revista, cujas diretrizes de publicação constam no endereço: http://www.seer.ufu.br/index.php/ouvirouver/about/submissions

Todas as submissões deverão ser enviadas para a plataforma da revista até 30 de junho de 2022.

Outras contribuições com temas variados seguirão em sistema de fluxo contínuo.

Atenciosamente,

Equipe Editorial da Revista ouvirOUver

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Chamada encerrada para o Dossiê Formação Superior em Dança no Brasil: Bacharelado em debate

Editores convidados: Daniella Aguiar e Alexandre Molina

A formação superior em Dança, bem como a discussão em torno dela, ganhou grande impulso com o aumento de cursos em universidades públicas e privadas desde os anos 2000. Entretanto, a maior parte dos cursos, das discussões e publicações está voltada para a formação de professores, para as licenciaturas.

Em 2021 o Curso de Dança da Universidade Federal de Uberlândia completa 10 anos, e tem como característica, pouco recorrente em nosso cenário nacional, a formação exclusiva como bacharel. Além disso, o curso passa por uma reformulação curricular que expõe a falta de uma discussão mais aprofundada na literatura especializada. Para comemorar nossa trajetória e contribuir com o debate, propomos a edição de um dossiê com foco pouco usual: a formação de bacharéis em Dança.

Convidamos todas e todos para discutirem as diversas problemáticas com o intuito de aprofundar e contribuir para a formação e atuação profissional em Dança no Brasil.

Apresentamos a seguir algumas questões que podem orientar autores e autoras, mas que não restringem as propostas:

- Como praticar uma formação decolonial?

- Perfil do bacharel: quais as possibilidades de formação?

- Como relacionar formação e atuação profissional?

- Como ensinar a criar?

- Como relacionar tradição e contemporaneidade?

Este dossiê faz parte das Comemorações dos 10 anos do Curso de Dança da UFU.

As contribuições deverão estar em conformidade com as normas da revista, cujas diretrizes de publicação constam no endereço: http://www.seer.ufu.br/index.php/ouvirouver/about/submissions

Todas as submissões deverão ser enviadas para a plataforma da revista até 06 de fevereiro de 2022.

Outras contribuições com temas variados seguirão em sistema de fluxo contínuo.

Atenciosamente,

Equipe Editorial da Revista ouvirOUver

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7º Fórum de Editores de Periódicos da área de Artes / Artes Visuais

MANIFESTAÇÃO FÓRUM DE EDITORES

Os editores das revistas científicas brasileiras vinculadas aos Programas de Pós-graduação em Artes Visuais e associações de pesquisa e pós-graduação em artes, reunidos no 7º Fórum de Editores da Área de Artes/Artes Visuais, que ocorreu de modo remoto, nos dias 28 e 29 de setembro de 2020, com a presença de 26 periódicos e 37 participantes, entre editores, editores adjuntos e representantes, fazem saber que entre vários pontos debatidos que entrarão em ata específica, destacam as seguintes manifestações:

A valorização da área de Artes na CAPES e seu papel de defesa das especificidades dos periódicos das Artes Visuais diante do conjunto das áreas que integram a pós-graduação brasileira, reconhecendo as conquistas decorrentes da presença atuante de nossos pares para a consolidação dos periódicos na divulgação do conhecimento e seus impactos nas políticas sociais e culturais do país;

A importância da defesa de critérios avaliativos para a área de Artes Visuais, além das métricas de impacto de citação que têm sido impostas como um indicador bibliométrico na avaliação do desempenho da produção científica acadêmica e dos periódicos;

A valorização pela área e pelos Programas de Pós-graduação do trabalho e do papel fundamental dos revisores para a garantia da qualidade dos trabalhos publicados pelas revistas de Artes Visuais.

 Repudiamos veementemente as ingerências do Governo brasileiro sobre a autonomia universitária, os cortes orçamentários e a falência do fomento que inviabilizam a pesquisa nas universidades públicas e seus objetivos fundamentais, bem como a função social da educação pública brasileira.

Subscrevem este manifesto:

Agnus Valente - Revista Rebento (UNESP)

Alexandre Sá Barretto da Paixão  - Revista Concinnitas (UERJ)

Alice J. Monsell  - Revista Paralelo 31  (UFPel) 

Analice Dutra Pillar  - Revista GEARTE (UFRGS)

Andrea Hofstaetter - Revista GEARTE (UFRGS)

Angela Grando - Revista Farol (UFES)

Beatriz Rauscher - Revista Estado da Arte e Revista ouvirOUver (UFU)

Biagio D’Angelo - Revista VIS (UnB)

Carin Dahmer - Revista Digital do LAV (UFSM)

Daniel Hora - Revista Farol (UFES)

Emerson Dionisio Gomes de Oliveira  - Revista Modos (UnB,UNICAMP,UFRJ,UFRGS,UFBA,UERJ) 

Fábio Fonseca - Revista ouvirOUver (UFU)

Fábio Wosniak  - Revista Apotheke (UDESC)

Felipe Scovino  - Revista Arte & Ensaios (UFRJ)

Jo A-mi  - Revista Vazantes (UFC)

José Eliézer Mikosz  - Revista Art&Sensorium (UNESPAR)

Keyla Sobral - Revista Arteriais - PPGArtes (UFPA) 

Lêda Guimarães – Revista Visualidades (UFG)

Luiz Sérgio de Oliveira - Revista Poiésis (UFF)

Madalena Zaccara - Revista Cartema (UFPE/UFPB) 

Magali Melleu Sehn - PÓS - Revista do PPG em Artes  (UFMG)

Mara Rúbia Sant'Anna   - Revista Palíndromo e Revista Ensino em Artes, Moda e Design (UDESC)

Maria Cristina da Rosa Fonseca da Silva – Revista Educação, artes e Inclusão (UDESC)

Maria de Fátima Morethy Couto - Revista Modos (UnB,UNICAMP,UFRJ,UFRGS,UFBA,UERJ)

Marta Castello Branco  - Revista Nava (UFJF)

Milena Szafir - Revista Vazantes (UFC)

Orlando Maneschy - Revista Arteriais - PPGArtes (UFPA)

Paulo Antonio de Menezes Pereira da Silveira - ARJ - Art Research Journal ANPAP / ANPON / ABRACE /ANDA

Priscila Rampin - Revista Estado da Arte (UFU)

Rogéria de Ipanema  - Revista Arte & Ensaios (UFRJ)

Rosa Maria Blanca Cedillo  - Revista Contemporânea (UFSM)

Rosangela Britto - Revista Arteriais - PPGArtes (UFPA)

Sávio Stoco - Revista Arteriais - PPGArtes (UFPA)

Tatiana Telch Evalte- Revista GEARTE (UFRGS)

Teresinha Barachini - Revista Porto Arte (UFRGS)

Vera Lucia Didonet Thomaz  ARJ - Art Research Journal (ANPAP / ANPON / ABRACE/ANDA )

Vitoria Amaral - Revista Cartema (UFPE/UFPB)