Festas, Fé e Luta: Rituais Caiçaras como Práticas Educativas e Políticas no Território Insular
DOI:
https://doi.org/10.14393/OT2026v28.n.1.78833Palabras clave:
Rituais caiçaras, Educação do território, Políticas culturais, Resistência, Saberes tradicionaisResumen
: Este artigo analisa os rituais festivos realizados por comunidades caiçaras das áreas insulares de Guaraqueçaba, no litoral do Paraná, como práticas educativas, formativas e políticas produzidas no interior da vida comunitária. Parte-se da compreensão de que festas como o fandango, as novenas, as procissões e as celebrações religiosas populares constituem espaços de ensino-aprendizagem não escolar, nos quais se transmitem saberes tradicionais, memórias coletivas, valores de pertencimento, formas de organização comunitária e modos de resistência territorial. Sob a perspectiva da etnossociologia, a pesquisa busca compreender como esses rituais operam como dispositivos pedagógicos de formação identitária, cultural, espiritual e política, especialmente em contextos marcados por políticas de conservação ambiental excludentes e pela invisibilização dos povos tradicionais. A investigação adota abordagem qualitativa, com base em escutas sensíveis, observação participante e análise documental, valorizando as vozes locais e seus modos próprios de narrar, celebrar, ensinar e aprender. O embasamento teórico articula contribuições da Etnossociologia, da Antropologia dos Rituais, dos Estudos Subalternos, da educação popular, da educação do território e da interculturalidade crítica. Os resultados evidenciam que os rituais caiçaras funcionam como espaços formativos intergeracionais, nos quais corpo, oralidade, fé, trabalho coletivo e memória atuam como mediações pedagógicas. Conclui-se que as festas caiçaras, além de expressões culturais e políticas, constituem práticas educativas legítimas, capazes de produzir pertencimento, consciência territorial e afirmação de saberes tradicionais.
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