COTAS: UM FATO NO CENÃRIO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO SUPERIOR
DOI:
https://doi.org/10.14393/DP-v1n1-2012-19631Palavras-chave:
cotas, ações afirmativas, universidades, práticas docentes e discentes.Resumo
Atualmente, as cotas estão na pauta principal de discussões. Isso porque temos um fato recente: a aprovação da lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012 e que foi regulamentada pelo decreto nº 7.824 de 11 de outubro de 2012. Não são discussões recentes, mas sempre acaloradas e muitas vezes parciais. Uma discussão séria deve ser levada a cabo mostrando cotas como a ponta do iceberg chamado Ações Afirmativas. O enfrentamento ao racismo deve ser adotado de variadas formas, adotando-se políticas compensatórias onde as ações afirmativas se enquadram como um exemplo. O sistema de cotas para o ingresso de negros nas universidades federais é a ação afirmativa que mais tem levantado polêmica no país, em parte pela excessiva e parcial cobertura da mídia. O que está em jogo é o acesso às melhores universidades do país e a ameaça que isso representa para um campo tradicionalmente pertencente à elite. Isso afetará diretamente o cotidiano e as práticas docentes e discentes, criando uma nova realidade a ser pensada, discutida e construída cotidianamente. É preciso incluir nesse espaço acadêmico discussões acerca de uma educação para a tolerância, que combata o racismo e a discriminação. Tomar a vida acadêmica e docente como referência significa levar em consideração as estratégias utilizadas pelos professores e alunos para a convivência diária -em função de seus habitus- e o trabalho docente como práxis, que se caracteriza pela ação-reflexão-ação, além da necessidade de articular diferentes contribuições, advinda de diferentes tempo/espaços. Isso significa valorizar a "teia" de relações, cujos fios colocam em evidência a pessoa do aluno, que é sujeito dos cursos de formação. Deve-se tentar compreender os sentidos e significados que esse cotidiano lhes impõe e lhes revela. O desafio está posto.
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