Araripe sitiado: o avanço do capital na Chapada do Araripe

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.14393/RCT2182143

Palabras clave:

mercadorização, controle da natureza, capitalismo

Resumen

Procurou-se, com este artigo, discutir o processo de mercadorização e controle da natureza na Chapada do Araripe pelo capital que vai sitiando os seus bens naturais como a água, o solo, a paisagem, a vegetação e o vento. Com um olhar histórico-materialista, realizamos uma análise qualitativa com o apoio de alguns dados quantitativos, observando criticamente os fenômenos pesquisados. Priorizamos os processos e não simplesmente a busca por dados objetivos, e constatamos que o capital imbricado com as políticas estatais está enredado em diferentes escalas e se manifesta em diversas formas nos territórios da Chapada do Araripe, gerando um grande número de conflitos com as populações locais. A Chapada do Araripe é uma expressiva formação geológica que abarca três estados nordestinos: Ceará, Pernambuco e Piauí. Através de análise empírica, constatamos que a ofensiva política e ideológica do processo de mercadorização e privatização da natureza se materializa em grandes obras de infraestrutura hídrica, como o Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) e do Cinturão das Águas do Ceará (CAC), e de transporte como a Ferrovia Transnordestina; na apropriação privada do vento por empresas geradores de energias; na expansão das monoculturas agrícolas em grandes extensões de terras para o  cultivo, por exemplo, da banana; no monopólio do solo urbano através dos grandes condomínios e loteamentos urbanos, especialmente na encosta da Chapada; e na apropriação privada da paisagem por empreendimentos turísticos.

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Biografía del autor/a

  • Francisco Wlirian Nobre, Secretaria da Educação do Estado do Ceará
    Graduado em Geografia pela Universidade Regional do Cariri (URCA). Mestre em Desenvolvimento Regional Sustentável pela Universidade Federal do Cariri (UFCA). Doutor em Geografia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Pós-graduado em Geopolítica e História-Geografia. Professor da Rede Estadual do Ceará. Integrante do Grupo de Estudos em Geografia Agrária (GEA) da URCA. Pesquisador na área de Geografia Agrária atuando nas temáticas: Conflitos territoriais hídricos, Comunidades Tradicionais e Agroecologia. Gestor do Ponto de Cultura Casa de Quitéria.  
  • Cassio Expedito Galdino Pereira, Universidade Federal de Pernambuco

    Graduado em Geografia pela Universidade Regional do Cariri (URCA), mestre em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorando em Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É segundo líder do grupo de pesquisa CNPq 'IMAGO - Pesquisa em Cultura Visual, Espaço, Memória e Ensino', vinculado ao Laboratório de Estudo e Pesquisa em Espaço Urbano e Cultura (LEPEUC) da URCA. Desenvolve pesquisas na área de linguagem cartográfica, geotecnologias e cultura visual, com foco nas relações socioculturais e espaciais nos contextos indígenas e de comunidades tradicionais.

  • Ivan Targino Moreira, Universidade Federal da Paraíba

    Graduação em Economia pela Universidade Federal da Paraíba (1974), graduação em Filosofia pela Universidade Católica de Pernambuco (1974), mestrado em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco (1978) e doutorado e pós-doutorado em Economia - Université Paris 1 Pantheon-Sorbonne (1982 / 2004). Professor titular aposentado da Universidade Federal da Paraíba. Professor emérito da UFPB. É membro do corpo docente do PPGG/UFPB. Tem experiência na área de Economia e Geografia Agrária, atuando principalmente nos seguintes temas: paraíba, brasil, nordeste, agricultura familiar e migração, bem como na temática desenvolvimento e educação.

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Publicado

2026-08-06

Cómo citar

NOBRE, Francisco Wlirian; PEREIRA, Cassio Expedito Galdino; MOREIRA, Ivan Targino. Araripe sitiado: o avanço do capital na Chapada do Araripe. Revista Campo-Território, Uberlândia, v. 21, p. e2182143, 2026. DOI: 10.14393/RCT2182143. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/campoterritorio/article/view/82143. Acesso em: 9 aug. 2026.

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