Juventude rural e sucessão geracional: desafios para a reprodução social da agricultura familiar em Santa Catarina
DOI:
https://doi.org/10.14393/RCT2181640Palavras-chave:
juventude rural, agricultura familiar, territorialidades, regiões geográficas intermediáriasResumo
Este artigo analisa a dinâmica demográfica da juventude rural no estado de Santa Catarina, correlacionando-a à sucessão geracional e aos desafios da reprodução social da agricultura familiar em uma perspectiva territorial. O objetivo é investigar as transformações na população jovem residente no meio rural, destacando as diferenciações entre as sete Regiões Geográficas Intermediárias (RGINTs) catarinenses à luz do debate sobre desenvolvimento regional. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem quantitativo-descritiva com interpretação qualitativa, fundamentada em dados dos Censos Demográficos de 2000, 2010 e 2022 e do Censo Agropecuário de 2017, produzidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os resultados evidenciam uma redução expressiva e contínua da população jovem rural em todas as RGINTs do estado, inclusive naquelas caracterizadas pela forte presença da agricultura familiar, como a RGINT de Chapecó. Os dados revelam um descompasso entre a permanência da estrutura produtiva familiar e sua renovação geracional, indicando que a expressividade da agricultura familiar não assegura, por si só, a continuidade intergeracional das unidades rurais. A análise demonstra que, embora existam políticas públicas voltadas à agricultura familiar e à juventude rural, persistem desigualdades territoriais e condicionantes estruturais que limitam as possibilidades de permanência dos jovens no campo. Conclui-se que os desafios da sucessão geracional exigem estratégias de desenvolvimento regional, de modo a contemplar as especificidades territoriais das diferentes regiões catarinenses e a autonomia produtiva dos jovens, garantindo condições para a construção de projetos de vida no meio rural e a sustentabilidade dos territórios rurais.
Downloads
Referências
ABRAMOVAY, Ricardo et al. Juventude e agricultura familiar: desafios dos novos padrões sucessórios. Brasília: UNESCO, 1998.
ABRAMOVAY, Ricardo. O futuro das regiões rurais. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2003.
BOURDIEU, Pierre. Coisas ditas. Tradução Cássia R. da Silveira e Denise Moreno Pegorim; revisão técnica Paula Montero. São Paulo: Brasiliense, 2004.
BRASIL. Lei nº 11.326, de 24 de julho de 2006. Estabelece as diretrizes para a formulação da Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 25 jul. 2006.
CARNEIRO, Maria José. O ideal rurbano: campo e cidade no imaginário de jovens rurais. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL, 35., 1998, Poços de Caldas. Anais... Poços de Caldas: SOBER, 1998. p. 95-117.
CARNEIRO, Maria José. Ruralidade: novas identidades em construção. Estudos Sociedade e Agricultura, Rio de Janeiro, n. 15, p. 53-75, 2000.
CARNEIRO, Maria José; CASTRO, Elisa Guaraná de Castro (org.). Juventude rural em perspectiva. Rio de Janeiro: Mauad X, 2007.
CASTRO, Elisa Guaraná de Castro et al. Juventude e agroecologia: a construção de uma agenda política e a experiência do Planapo. In: SAMBUICHI, Regina Helena Rosa et al. (org.). A política nacional de agroecologia e produção orgânica no Brasil: uma trajetória de luta pelo desenvolvimento rural sustentável. Brasília: Ipea, 2017.
CASTRO, Elisa Guaraná de. Juventude rural no Brasil: reprodução social, sucessão e políticas públicas. Estudos Sociedade e Agricultura, Rio de Janeiro, v. 27, n. 2, p. 404-429, 2019.
CERATTI, Eliziane Raquel Rauch. Juventude rural: desafios e possibilidades de reprodução social da agricultura familiar. 2020. Dissertação (Mestrado em Políticas Sociais e Dinâmicas Regionais). Chapecó: Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), 2020.
CORONA, Hieda Maria Pagliosa. A reprodução social da agricultura familiar na região metropolitana de Curitiba em suas múltiplas interrelações. 2006. Tese (Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento). Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba, 2006.
HAESBAERT, Rogério. O mito da desterritorialização: do “fim dos territórios” à multiterritorialidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Divisão regional do Brasil em regiões geográficas imediatas e regiões geográficas intermediárias. Coordenação de Geografia. Rio de Janeiro: IBGE, 2017.
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo agropecuário - 2017. Tabela 6779 - Número de estabelecimentos agropecuários por tipologia, origem da orientação técnica recebida, sexo do produtor, condição do produtor em relação às terras, classe de idade do produtor e escolaridade do produtor. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/6779. Acesso em: 15 mar. 2025.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo demográfico 2000. Tabela 200 - População residente, por sexo, situação e grupos de idade - Amostra - Características Gerais da População. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/200. Acesso em: 10 mar. 2025.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo demográfico 2010. Tabela 1378 - População residente, por situação do domicílio, sexo e idade, segundo a condição no domicílio e compartilhamento da responsabilidade pelo domicílio. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/1378. Acesso em: 12 mar. 2025.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo demográfico 2022. Tabela 9952 - População, total e indígena, de 15 anos ou mais de idade, por alfabetização, sexo, grupos de idade, localização e situação do domicílio. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/9952. Acesso em: 15 mar. 2025.
MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 8. ed. São Paulo: Hucitec, 2001.
OLIVEIRA, Antônio Tadeu Ribeiro de; O’NEILL, Maria Mônica. Dinâmica demográfica e distribuição espacial da população: cenários para 2040, um olhar socioeconômico. Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2020.
PICOLOTTO, Everton Lazzaretti. Os atores da construção da categoria agricultura familiar no Brasil. Revista de Economia e Sociologia Rural, Piracicaba, v. 52, supl. 1, p. S063-S084, 2014. DOI: https://doi.org/10.1590/S0103-20032014000600004
PLOEG, Jan Douwe Van Der. Camponeses e impérios alimentares: lutas por autonomia e sustentabilidade na era da globalização. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2008.
PLOEG, Jan Douwe Van Der. Sete teses sobre a agricultura camponesa. In: PETERSEN, Paulo (org.). Agricultura familiar camponesa na construção do futuro. Rio de Janeiro: AS-PTA, 2009. p. 17-32. Disponível em: http://www.bibliotecadigital.abong.org.br/handle/11465/373. Acesso em: 25 mar. 2025.
POLLNOW, Gernano Ehlert; CALDAS, Nádia Velleda; ANJOS, Flávio Sacco dos. Sucessão geracional e instalação de jovens na agricultura: a percepção de organizações sindicais da Espanha. Revista de Economia e Sociologia Rural, Piracicaba, v. 61, e263213, 2023. DOI: https://doi.org/10.1590/1806-9479.2022.263213.
SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1996.
SCHNEIDER, Sérgio. Reflexões sobre diversidade e diversificação: agricultura, formas familiares e desenvolvimento rural. Ruris, Campinas, v. 4, n. 1, p. 9-38, 2010a. DOI: https://doi.org/10.53000/rr.v4i1.708
SCHNEIDER, Sérgio. Situando o desenvolvimento rural no Brasil: o contexto e as questões em debate. Revista de Economia Política, São Paulo, v. 30, n. 3, p. 511–531, jul./set. 2010b. DOI: https://doi.org/10.1590/S0101-31572010000300009
SILVESTRO, Milton Luiz; MELLO, Márcio Antônio de; DORIGON, Clóvis. A agricultura familiar no Oeste Catarinense: repensando novas possibilidades. Agropecuária Catarinense. v.14, n.2, jul. 2001. DOI: https://doi.org/10.52945/rac.v14i2.1385 Disponível em: https://publicacoes.epagri.sc.gov.br/rac/article/view/1385/1236 Acesso em 13 mar. 2025.
SPANEVELLO, Rosani Marisa. A dinâmica sucessória na agricultura familiar. 2008. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Rural). Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Porto Alegre, 2008.
STROPASOLAS, Valmir Luís. O mundo rural no horizonte dos jovens. Florianópolis/SC: Editora da UFSC, 2006.
VEIGA, José Eli da. Cidades imaginárias: o Brasil é menos urbano do que se calcula. Campinas: Autores Associados, 2002.
WANDERLEY, Maria de Nazareth Baudel. O mundo rural como um espaço de vida: reflexões sobre a propriedade da terra, agricultura familiar e ruralidade. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Eliziane Raquel Rauch Ceratti, Hieda Maria Pagliosa Corona

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.


















