GEOGRAFIA E CÁRCERE: UMA ANÁLISE ESPACIAL DO PROCESSO DE INTERIORIZAÇÃO DOS ESTABELECIMENTOS PENAIS DE 1929-2022 EM MINAS GERAIS
DOI:
https://doi.org/10.14393/RCG2778424Palavras-chave:
Geografia carcerária, Sistema prisional, DescentralizaçãoResumo
A interiorização dos estabelecimentos penais em Minas Gerais reflete um fenômeno mais amplo da reorganização do sistema carcerário brasileiro, impulsionado por fatores políticos, econômicos e sociais. Este artigo analisa a distribuição espacial das unidades prisionais no estado, destacando o papel da descentralização no alívio da superlotação dos grandes centros urbanos e na geração de impactos socioeconômicos nas cidades do interior. A pesquisa se baseia em uma metodologia mista de análise de dados, a partir do registro cartográfico das 229 unidades prisionais mineiras, associado a entrevistas com gestores e policiais penais, a fim de compreender as motivações e consequências dessa dinâmica. Os resultados apontam que, embora a interiorização tenha contribuído para a redistribuição espacial da população carcerária, persistem desafios como a precariedade da infraestrutura, dificuldades de acesso a serviços básicos e a resistência das comunidades locais. Além disso, a ausência de uma gestão regionalizada do sistema penitenciário compromete a eficiência das unidades e reforça padrões de desigualdade territorial. O estudo conclui que a descentralização do sistema prisional deve ser acompanhada por políticas públicas que garantam melhores condições de custódia, acesso a serviços essenciais e estratégias eficazes de ressocialização, evitando que a simples ampliação de vagas reforce a segregação socioespacial.
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