Corpografia simbiótica: aprendizagem experiencial com os signos proustianos e o transe ritualístico Huni Kuin
Capa com imagem de autoria de Nikoleta Kerinska, mostra fragmento de elemento vegetal sobre torax humano
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Palavras-chave

Aprendizagem experiencial
signos proustianos
corpo sem orgão
transe ritualístico
enativismo

Como Citar

Corpografia simbiótica: aprendizagem experiencial com os signos proustianos e o transe ritualístico Huni Kuin. (2025). Revista Estado Da Arte, 6(2). https://doi.org/10.14393/EdA-v6-n2-2025-79148
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Resumo

Este artigo propõe uma investigação interdisciplinar sobre os processos de aprendizagem experiencial a partir dos signos, articulando a obra de Marcel Proust e a ritualística do povo Huni Kuin da Amazônia. A partir da leitura deleuziana de “Proust e os Signos”, discute-se como a variedade dos signos e a sensibilidade do corpo sem órgãos configuram um espaço de aprendizagem que transcende o controle voluntário, permitindo o surgimento de novas potências de individuação. Paralelamente, explora-se a aprendizagem ritualística entre os Huni Kuin, especialmente através das experiências de transe mediadas por cantos, desenhos e cosmologias que estabelecem um corpo sem órgãos simbiótico, a partir da relação com os signos do mundo ancestral e da medicina sagrada da Ayahuasca. Integrando esses horizontes, o estudo propõe uma leitura enativista da aprendizagem que considera a dança entre os três corpos (orgânico, sensório-motor e intersubjetivo) e um quarto corpo ontogenético, espaço de bifurcação e potencialidade vivida em experiências transformativas, tanto artísticas quanto ritualísticas.

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