Observatório de Relações Interespecíficas em Contextos Extremos: pensamento sistêmico e ficção especulativa em prospecções sobre o humano e o não humano
Capa com imagem de autoria de Nikoleta Kerinska, mostra fragmento de elemento vegetal sobre torax humano
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Palabras clave

Arte
Fabulação
Imaginário científico
Percepção
Processos de criação

Cómo citar

Observatório de Relações Interespecíficas em Contextos Extremos: pensamento sistêmico e ficção especulativa em prospecções sobre o humano e o não humano. (2025). Revista Estado Da Arte, 6(2). https://doi.org/10.14393/EdA-v6-n2-2025-79587
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Resumen

O artigo analisa de que modo uma pesquisa em arte, na forma de uma construção prático-reflexiva situada, elabora modos de pensar sobre relações entre o humano e o não humano. Objetiva-se demonstrar como o exercício especulativo, compreendido como um instrumento de pesquisa em arte, agencia leituras sobre outros modos de fazer mundos e sobre as suas possíveis naturezas. Para isso, toma-se como caso de estudo o “Observatório de Relações Interespecíficas em Contextos Extremos (ORICE)”, segmento prospectivo ficcional desenvolvido pela autora. A partir da análise de sua constituição, identificam-se duas perspectivas: uma sistêmica, que busca perceber os processos terrestres em suas complexidades relacionais, e outra especulativa, que adquire uma forma narrativa por meio da fabulação. Compreende-se a prática artística como um meio prospectivo sobre a realidade consensual e as suas possibilidades alternas. Pensar o humano e o não humano na interface entre arte e ficção afirma o papel dos processos especulativos na reformulação de percepções e de subjetividades necessárias ao reposicionamento do humano diante dos contextos geológicos atuais.

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