Poética da Quimera: O Reino Animal de Thomas Cailley, à luz da desconstrução do Homem/Animal por Jacques Derrida em O Animal Que Logo Sou
Capa com imagem de autoria de Nikoleta Kerinska, mostra fragmento de elemento vegetal sobre torax humano
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Palavras-chave

Quimera
Humano
Animal
Desconstrução
Cinema
Filosofia

Como Citar

Poética da Quimera: O Reino Animal de Thomas Cailley, à luz da desconstrução do Homem/Animal por Jacques Derrida em O Animal Que Logo Sou. (2025). Revista Estado Da Arte, 6(2). https://doi.org/10.14393/EdA-v6-n2-2025-80660
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Resumo

O Reino Animal, (Le règne animal) (2023), um filme francês de Thomas Cailley, foi aclamado como uma obra original e impactante: o primeiro grande filme antiespecista. O filme, tanto em sua fábula quanto em suas escolhas deliberadas de direção, dialoga com as preocupações contemporâneas sobre a relação da humanidade com a natureza e os seres não humanos que a habitam. A ficção – uma epidemia de mutações que transforma alguns humanos em animais – dá origem à criação e, posteriormente, à incorporação pelos atores de quimeras surpreendentes que representam essa transformação. Considerarei o tema do filme e a criação dessas quimeras como o fabuloso ápice da desconstrução da oposição Homem/Animal inaugurada por Jacques Derrida em sua obra póstuma, O Animal Que Logo Sou (L’animal que donc je suis) (2006). Ele desafia uma tradição filosófica que, desde Descartes, fundamentou o que é próprio do homem, sua essência, sua dignidade, na distinção em relação ao animal, incapaz de dor, emoção, pensamento, razão e linguagem. Kant, Levinas, Lacan e Heidegger são todos chamados a contribuir.

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Referências

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