Cadernetas agroecológicas
educação popular e resistências frente a ameaças minerárias em territórios quilombolas
DOI:
https://doi.org/10.14393/REP-2025-81873Palavras-chave:
Cadernetas agroecológicas, Defesa do território, Economia da vidaResumo
Este texto apresenta a proposta elaborada pelos Programas de Pós-graduação em Estudos Rurais (PPGer) e Programas de Pós-graduação em Ciências Humanas (PPGCH), da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), para a edição especial da Revista de Educação Popular vinculada à Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Ao considerar concepções críticas sobre a economia capitalista hegemônica, o artigo partilha experiência com as cadernetas agroecológicas em municípios localizados na porção meridional da Cordilheira do Espinhaço, enquanto um exercício contra-hegemônico que prioriza a vida e sua interdependência. Desse modo, corroboramos com as reflexões sobre o uso das cadernetas no Brasil, que as entendem como instrumentos pedagógicos, que articulam os princípios da educação popular e feminista, ao fomentar conscientizações a partir de processos de construção coletiva de conhecimentos, da crítica sobre a lógica patriarcal, capitalista e supremacista branca da sociedade. Por fim, as cadernetas agroecológicas revelam o papel que as mulheres cumprem na esfera da reprodução social, atuando diretamente na rede complexa de cuidados e de sustentabilidade da vida.
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