Da terra indígena Kayapó Mebêngôkre à terra indígena Santuário dos Pajés
dilemas e desafios para uma educação intercultural
DOI:
https://doi.org/10.14393/REP-2026-77210Palavras-chave:
Educação, Lei n.º 11.645/08, Antropologia, EtnografiaResumo
Este texto objetivou apresentar duas experiências pedagógicas, vivenciadas com discentes do ensino médio, em momentos e espaços diferentes: uma em 2022, em Ourilândia do Norte (Pará — PA), e outra em Brasília (Distrito Federal — DF), em 2023. Essas experiências foram iniciadas nas aulas de Sociologia, tendo como eixo central o conteúdo teórico e metodológico da antropologia, especificamente, os conceitos de cultura, etnia, cosmologias, rituais e, na parte metodológica, a etnografia da observação participante. Nos dois casos, tendo essa base teórico-metodológica, foi apresentada, em sala de aula, a situação dos povos indígenas no Brasil e dos povos residentes nas respectivas regiões supramencionadas — no PA, os moradores da terra indígena Kayapó Mebêngôkre e, no DF, na terra indígena Santuário dos Pajés. Após o conteúdo aprendido em sala de aula, os discentes do PA tiveram uma experiência de campo na aldeia Krankrô, enquanto os discentes do DF tiveram a experiência na terra indígena Santuário dos Pajés. Em um exercício comparativo, o presente trabalho buscou mostrar como conhecer as cosmologias e epistemologias dos povos originários, seguidas de uma experiência de campo. Isso foi fundamental para romper com uma colonialidade do poder nessas instituições de ensino, oferecendo bases empíricas para uma educação intercultural.
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