Barreiras sociodemográficas, familiares e culturais, e suas influências no cuidado à saúde mental de mulheres feirantes
DOI:
https://doi.org/10.14393/REP-2026-77030Palavras-chave:
Trabalho informal, Saúde mental, Acesso aos serviços de saúdeResumo
Este escrito buscou analisar quais fatores funcionam como barreiras no acesso ao cuidado à saúde mental de mulheres atuantes em uma feira livre situada na cidade de Feira de Santana/BA. Trata-se de um estudo qualitativo-descritivo, realizado com 21 mulheres feirantes. Para a coleta das informações, foi utilizada a entrevista semiestruturada e, em seguida, o corpus resultante foi submetido à técnica de análise temática. Como resultados, a principal barreira percebida foi a fragilidade ou inexistência de vínculo entre as usuárias e os serviços da Atenção Primária à Saúde (APS), comprometendo a continuidade do cuidado, o reconhecimento das demandas em saúde mental e a construção de trajetórias assistenciais adequadas. Nesse contexto, os achados indicam que o acesso limitado ao cuidado em saúde mental decorre de barreiras estruturais, organizacionais e relacionais nos serviços de saúde, especialmente da incapacidade de produzir vínculo, acolhimento e acompanhamento longitudinal. A ausência desse vínculo reforça percursos assistenciais inadequados e contribui para a invisibilização do sofrimento psíquico das feirantes. Logo, evidencia-se a necessidade de fortalecer a APS como espaço privilegiado de cuidado em saúde mental, com práticas sensíveis às condições de trabalho, às desigualdades de gênero e desconstrução de estigmas e preconceitos sociais que dificultam o autocuidado.
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