Barreiras sociodemográficas, familiares e culturais, e suas influências no cuidado à saúde mental de mulheres feirantes

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/REP-2026-77030

Palavras-chave:

Trabalho informal, Saúde mental, Acesso aos serviços de saúde

Resumo

Este escrito buscou analisar quais fatores funcionam como barreiras no acesso ao cuidado à saúde mental de mulheres atuantes em uma feira livre situada na cidade de Feira de Santana/BA. Trata-se de um estudo qualitativo-descritivo, realizado com 21 mulheres feirantes. Para a coleta das informações, foi utilizada a entrevista semiestruturada e, em seguida, o corpus resultante foi submetido à técnica de análise temática. Como resultados, a principal barreira percebida foi a fragilidade ou inexistência de vínculo entre as usuárias e os serviços da Atenção Primária à Saúde (APS), comprometendo a continuidade do cuidado, o reconhecimento das demandas em saúde mental e a construção de trajetórias assistenciais adequadas. Nesse contexto, os achados indicam que o acesso limitado ao cuidado em saúde mental decorre de barreiras estruturais, organizacionais e relacionais nos serviços de saúde, especialmente da incapacidade de produzir vínculo, acolhimento e acompanhamento longitudinal. A ausência desse vínculo reforça percursos assistenciais inadequados e contribui para a invisibilização do sofrimento psíquico das feirantes. Logo, evidencia-se a necessidade de fortalecer a APS como espaço privilegiado de cuidado em saúde mental, com práticas sensíveis às condições de trabalho, às desigualdades de gênero e desconstrução de estigmas e preconceitos sociais que dificultam o autocuidado.

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Biografia do Autor

  • Laila da Silva Fortunato, Universidade Estadual de Feira de Santana

    Graduada em Enfermagem pela Universidade Estadual de Feira de Santana, Bahia, Brasil.

  • Claudia Suely Barreto Ferreira, Universidade Estadual de Feira de Santana

    Doutora em Enfermagem pela Universidade Federal da Bahia, Brasil; professora na Universidade Estadual de Feira de Santana, Bahia, Brasil.

  • Rita da Cruz Amorim, Universidade Estadual de Feira de Santana

    Doutora em Família na Sociedade Contemporânea pela Universidade Católica do Salvador, Bahia, Brasil; professora na Universidade Estadual de Feira de Santana, Bahia, Brasil; coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre o Cuidar/Cuidado na mesma instituição.

  • Nicolle Paiva Gomes, Universidade Estadual de Feira de Santana

    Graduanda em Enfermagem na Universidade Estadual de Feira de Santana, Bahia, Brasil.

  • Harumy Nischiuchi Rocha Lima Bastos, Universidade Estadual de Feira de Santana

    Graduanda em Enfermagem na Universidade Estadual de Feira de Santana, Bahia, Brasil.

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Publicado

13-05-2026

Como Citar

FORTUNATO, Laila da Silva; FERREIRA, Claudia Suely Barreto; AMORIM, Rita da Cruz; GOMES, Nicolle Paiva; BASTOS, Harumy Nischiuchi Rocha Lima. Barreiras sociodemográficas, familiares e culturais, e suas influências no cuidado à saúde mental de mulheres feirantes. Revista de Educação Popular, Uberlândia, v. 25, n. 1, p. 280–298, 2026. DOI: 10.14393/REP-2026-77030. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/reveducpop/article/view/77030. Acesso em: 16 maio. 2026.