Trabalhos manuais e saberes geométricos – apropriações do Rio de Janeiro a partir da circulação internacional

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Maria Célia Leme da Silva
http://orcid.org/0000-0001-6029-0490
Claudia Regina Boen Frizzarini
https://orcid.org/0000-0002-9290-7077
Gabriel Luís Conceição
https://orcid.org/0000-0002-7789-0369

Resumo

O presente artigo tem como objetivo compreender como propostas de inserção dos trabalhos manuais no ensino primário, que circularam internacionalmente, foram apropriadas no contexto brasileiro, em particular, no Rio de Janeiro, no final do século XIX até a década de 30 do século XX. A análise das fontes pauta-se sobre a circulação e as transferências de conhecimentos; processos de apropriação e objetivação (Matasci, 2015; Valente, 2020). Identificou-se que os três métodos colocados em circulação pelos viajantes brasileiros – Froebel, Boogaerts e Slodj – não foram igualmente incorporados, referenciados e nem reproduzidos para o contexto brasileiro. Conclui-se que, para que os trabalhos manuais fossem considerados como um auxiliar poderoso da geometria, se fez necessário um longo processo de objetivação, de mais de quatro décadas.

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Como Citar
Silva, M. C. L. da ., Frizzarini, C. R. B. ., & Conceição, G. L. . (2021). Trabalhos manuais e saberes geométricos – apropriações do Rio de Janeiro a partir da circulação internacional. Ensino Em Re-Vista, 28(Contínua), e023. https://doi.org/10.14393/ER-v28a2021-23
Seção
DOSSIÊ - HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA

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