A leitura e a escrita como órgãos da individualidade: a memória e o automatismo no processo de alfabetização
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Resumo
A memorização e a automatização frequentemente são associadas, no campo educacional, a práticas mecânicas e esvaziadas de sentido. Em contraposição a essa compreensão, o presente artigo analisa a importância da memória e do automatismo na aprendizagem da língua escrita, defendendo que a consolidação das relações grafofônicas constitui mediação necessária, porém não única, para a apropriação da leitura e da escrita como órgãos da individualidade humana. O estudo, de natureza bibliográfica e fundamentado no materialismo histórico-dialético, articula contribuições da pedagogia histórico-crítica, da psicologia histórico-cultural e das neurociências para discutir os processos de memorização, automatização e desenvolvimento da linguagem escrita. Analisa-se o funcionamento da memória, destacando a relevância da retomada sistemática dos conteúdos, da organização semântica da atividade e das particularidades individuais na aprendizagem. Argumenta-se que a automatização das correspondências grafofônicas não se reduz à mecanização esvaziada de sentido, mas constitui condição para que os sujeitos ampliem progressivamente sua atenção aos aspectos semânticos, discursivos e culturais da linguagem escrita. Conclui-se que a apropriação da língua escrita exige ensino sistemático, intencional e deliberado, sendo a memorização e a automatização mediações fundamentais para o desenvolvimento da autonomia intelectual, da criatividade e da apropriação consciente da cultura escrita.
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