Resumo
A pobreza urbana pode ser compreendida como toda privação da liberdade de acessar bens e valores que se julga importante numa dada sociedade. Trata-se de um fenômeno complexo de ser avaliado, pois exige medidas multidimensionais adaptadas às realidades locais. Este estudo tem como objetivo elaborar e aplicar um modelo multicritério para avaliar a pobreza urbana da cidade de Uberlândia, a segunda maior do estado de Minas Gerais, Brasil. A metodologia foi baseada na seleção e hierarquização de indicadores elaborados a partir dos dados do Censo Demográfico do IBGE (2022). Foram selecionados quinze indicadores relativos às dimensões da renda, educação, demografia, entorno e domicílio. Tais indicadores foram padronizados por normalização linear, ponderados com técnica da Análise Hierárquica de Processo (AHP) e agregados através da combinação linear ponderada. O resultado foi a produção do Índice de Privação Social de Uberlândia (IPSUDI), que varia de 0 a 1, sendo expresso em cinco classes distribuídas com técnica de quebras naturais. As análises foram realizadas com técnicas exploratórias de dados espaciais e análise de dependência, através do cálculo de Moran Global e Local. Os resultados mostraram bolsões de elevada privação social em toda zona periférica de Uberlândia, contrastando com áreas de baixa privação nas áreas central, sul e parte da região leste. Observou-se que as áreas de alta privação concentram populações mais jovens e com maior proporção de pretos e pardos, enquanto as de baixa privação têm populações mais idosas e majoritariamente brancas. Concluiu-se que a pobreza em Uberlândia é um fenômeno espacialmente estruturado e socialmente determinado, reproduzindo desigualdades raciais e geracionais. O modelo multicritério demonstrou ser uma ferramenta eficaz na avaliação da pobreza intraurbana, reforçando a necessidade de políticas públicas integradas que atuem nas múltiplas dimensões da privação e nas estruturas que perpetuam as desigualdades.
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