Resumo
A pesquisa vislumbra novas perspectivas para compreensão de um processo socioespacial com distinções nítidas do padrão de segregação centro-periferia para o modelo de fragmentação. Este artigo analisa a expansão dos enclaves territoriais em diferentes escalas, fazendo uma investigação comparativa da ampliação e concentração dos condomínios residenciais horizontais nas principais cidades brasileiras. Desse modo, foram definidas as categorias, os diferentes níveis de análise, as escalas temporal e geográfica, os tipos de impactos e processos socioespaciais. Foi utilizado a variável casa de vila ou em condomínio, na categoria dos domicílios particulares permanentes, no censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente ao ano de 2022 e dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) para delimitar os setores de alta concentração de enclaves residenciais horizontais. Nesse âmbito, o tecido socioespacial da Região Metropolitana de Fortaleza vem passado por significativas transformações resultantes de novos empreendimentos com barreiras físicas e acessos controlados e vigiados que produzem um distanciamento social com proximidade física. O estudo aponta para uma reorganização do tecido urbano metropolitano em direção à fragmentação urbana em trechos específicos de Fortaleza e dos municípios do seu entorno (Aquiraz e Eusébio). Há um aparecimento de diversos tipos de enclaves residenciais, nos quais possuem uma grande variedade de equipamentos de lazer, comércio e serviços dentro de seus perímetros, que confere a eles uma enorme autonomia em relação à cidade tradicional. Nessa situação, os padrões residenciais têm como base a insegurança urbana que redimensiona a vida cotidiana e implanta novas formas de separação dos grupos e rupturas físicas.
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