Resumo
A superfície terrestre possui um vasto número de territórios insulares de dimensão muito variada, ao ponto de tornar complexo o processo de criação de categorias para os diferentes espaços emersos. O presente texto seleciona a proposta de Depraetere e Dahl (2007; 2018) para delimitar os espaços insulares, e, principalmente, chegar a uma noção de ilha e suas categorias, para, posteriormente, aplicar esta tipologia às unidades insulares da Macaronésia. Neste contexto, torna-se fundamental determinar os limites para ilhéu e continente, uma vez que o conceito de ilha é, precisamente, enquadrado por estes dois tipos de espaços insulares. O objetivo principal passa por discutir o conceito de ilha, tendo por base principalmente a perspetiva da dimensão dos territórios. Também apresentamos como propósito expor as principais razões que estão subjacentes ao facto de certas ilhas não favorecerem a ocupação humana. Para alcançarmos estes objetivos optamos por um tipo de metodologia que privilegiou a revisão bibliográfica, a adaptação do modelo de classificação dos espaços insulares de referência e recorreu-se ao tratamento de informação proveniente de fontes estatísticas. Ao nível dos resultados, destacamos o facto de termos mantido a proposta original de 10 km² como o ponto de partida para que um território insular seja considerado ilha. Tal decisão fez com que seja possível contar 31 ilhas em toda a região atlântica da Macaronésia, sendo que três se encontram atualmente desabitadas. Este tipo de classificação não altera o número de ilhas habitualmente conhecido nos Açores e em Cabo Verde, no entanto, o mesmo não acontece nos restantes. A dimensão média das unidades insulares é variável entre os arquipélagos e o tamanho do território, embora seja realmente importante, jamais constitui a circunstância decisiva para que se verifique povoamento.
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