Compartimentação paisagística multiescalar da bacia hidrográfica do rio Uberabinha (Minas Gerais, Brasil) por meio da perspectiva geossistêmica
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Palavras-chave

Geossistema
Planejamento ambiental
Unidades de paisagem

Como Citar

ROSA, R. M.; FERREIRA, V. de O. Compartimentação paisagística multiescalar da bacia hidrográfica do rio Uberabinha (Minas Gerais, Brasil) por meio da perspectiva geossistêmica. Sociedade & Natureza, [S. l.], v. 34, n. 1, 2022. DOI: 10.14393/SN-v34-2022-63507. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/sociedadenatureza/article/view/63507. Acesso em: 25 maio. 2022.

Resumo

O uso inadequado dos recursos naturais em contextos espacialmente diferenciados sob vários aspectos nas bacias hidrográficas conduz à degradação ambiental e aos problemas sociais. Nesse sentido, as ações de gestão são fundamentais e devem partir do princípio de que as unidades hidrográficas são internamente heterogêneas, complexas e multifacetadas, configurando-se como um conjunto de situações variadas. Este artigo relata resultados de pesquisa dedicada à aplicação de um procedimento metodológico de compartimentação paisagística multiescalar baseado na adaptação das contribuições de dois autores clássicos: Georges Bertrand e Jean Tricart. A bacia do rio Uberabinha, localizada no estado de Minas Gerais, adotada como área de estudo, foi caracterizada do ponto de vista fisiográfico e subdividida ordenadamente em dois geossistemas, quatro geocomplexos e oito geofácies. Unidades menores, denominadas geótopos, também foram identificadas enquanto exemplos. A partir dos mapas de componentes fisiográficos e de cobertura e uso da terra distribuídos em intervalos temporais situados entre 1985 e 2020 foi possível categorizar a vulnerabilidade dos terrenos quanto à perda de solos. Por fim, perfis geoecológicos foram elaborados para organização de uma síntese da realidade terrestre da bacia numa perspectiva vertical (geohorizontes). Diante do exposto, o trabalho contribuiu como uma análise da bacia do rio Uberabinha baseada na perspectiva geossistêmica, visto que sua exploração tem se mostrado ecologicamente predatória, assim como na maioria das bacias hidrográficas brasileiras.

https://doi.org/10.14393/SN-v34-2022-63507
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