Os Manuais de Ortografia na história do português
DOI:
https://doi.org/10.14393/LL63-v42-2026-19Palavras-chave:
Manual de ortografia, Política Linguística, Língua Portuguesa, Apêndice LusitanosResumo
Este artigo discute a natureza dos manuais de ortografia de língua portuguesa, sua instituição como expressão de política linguística e sua pertinência ao estudo histórico do português. A discussão mostra que os manuais surgem de uma demanda social, a de uma língua alçada à posição de idioma nacional; surgem com um propósito comunicativo orientado essencialmente pela deonticidade, pautar a condução linguístico-ortográfica do falante; e surgem pelo processo da imitação, ao assumir valores e modelos explicativos da tradição gramatical clássica. O acionamento da imitatio, contudo, não impossibilita o surgimento de um material autêntico, sem correspondente direto em latim.
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