Silêncios programados

o que a inteligência artificial não pode dizer — e por que isso importa para as Humanidades

Autores/as

  • DENIS RAMÓN FÚNES FLORES UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS - UFT

DOI:

https://doi.org/10.14393/AM-v23n1-2026-80884

Palabras clave:

Inteligência Artificial, Linguagem, Silêncio, Humanidades, Ética Algorítmica

Resumen

A emergência de modelos generativos de inteligência artificial (IA) tem suscitado debates sobre os limites da linguagem algorítmica e sua capacidade de simular compreensão humana. Este artigo propõe investigar os “silêncios programados” — ou seja, aquilo que a IA estruturalmente não consegue dizer, expressar ou compreender — e discutir por que essas ausências são cruciais para as Humanidades. Trata-se de um ensaio teórico fundamentado em revisão crítica de literatura interdisciplinar, articulando filosofia da linguagem, estudos digitais e crítica da tecnologia. Dialogam com a reflexão autores como Paul Ricoeur, cuja hermenêutica enfatiza a dimensão narrativa e ética da linguagem; Jacques Derrida, ao problematizar a presença e a diferença; Luciana Gattass, sobre letramentos digitais no contexto brasileiro; e Luciano Floridi e N. Katherine Hayles, que abordam as implicações éticas e epistemológicas da racionalidade algorítmica. Argumenta-se que os silêncios da IA não são meras lacunas técnicas, mas revelam os limites da racionalidade instrumental frente à complexidade da experiência humana — marcada por ambiguidade, ironia, afeto, historicidade e subjetividade. Longe de substituir a linguagem humana, a IA evidencia a necessidade de as Humanidades exercerem um papel crítico e ético na era da automatização do discurso, preservando espaços de escuta, dúvida e reflexão que os algoritmos não podem habitar.

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Publicado

2026-08-14