A MARgem - Revista Eletrônica de Ciências Humanas, Letras e Artes https://seer.ufu.br/index.php/amargem <p>A MARgem (ISSN: 2175-2516) é uma <strong>revista da graduação</strong>, semestral, acessível em meio eletrônico, que veicula textos elaborados por <strong>graduandos</strong> em Ciências Humanas, Letras e Artes. O periódico oportuniza a circulação do conhecimento produzido nos cursos de graduação.</p> A MARgem - Revista Eletrônica de Ciências Humanas, Letras e Artes pt-BR A MARgem - Revista Eletrônica de Ciências Humanas, Letras e Artes 2175-2516 <p>Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:</p> <p>Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a&nbsp;<a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/" target="_blank" rel="noopener">Creative Commons Attribution License</a>, permitindo o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria do trabalho e publicação inicial nesta revista.</p> <p>Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.</p> Apresentação https://seer.ufu.br/index.php/amargem/article/view/64060 Amanda Campos Fonseca Giovanna Duran Soares Santos Iasmin Walchan José Sueli Magalhães Larissa Natálie de Souza Maria Luiza Mazza Menani Copyright (c) 2021 A MARgem - Revista Eletrônica de Ciências Humanas, Letras e Artes 2021-12-28 2021-12-28 18 2 1 8 “Três mortes” de Liév Tolstói https://seer.ufu.br/index.php/amargem/article/view/60818 <p>O ensaio desenvolve a análise da obra realista “Três mortes” (1859) de Liév Tolstói, observando os principais aspectos do gênero conto e elementos de textos narrativos, segundo os teóricos citados no texto: Beth Brait, Osman Lins, Nádia Gotlib e Benedito Nunes. Propõe-se a interpretação da história congruente ao tempo, ao espaço e, em destaque, às personagens, compreendendo a complexidade das convicções da sociedade russa no século XIX, que elevam a percepção do leitor para dilemas humanos primitivos, tais como a morte e a liberdade. Dessa forma, ao destacar os elementos estruturais e os traços singulares da escrita renomada de Tolstói, com excessiva presença de antíteses, sarcasmo e crítica sobre as mais distintas temáticas, são sugeridas abundantes reflexões sobre o defronte ao fim da existência, abordadas a partir do paralelo entre as mortes das personagens esféricas dos três núcleos principais, que constituem o enredo.</p> Luana Leão Silva Copyright (c) 2021 A MARgem - Revista Eletrônica de Ciências Humanas, Letras e Artes 2021-11-02 2021-11-02 18 2 8 17 10.14393/AM-v18n2-2021-60818 Propostas educativas envolvendo jogos e artefatos robóticos na educação básica para deficientes visuais https://seer.ufu.br/index.php/amargem/article/view/61034 <p>O presente trabalho busca refletir sobre as práticas educativas no âmbito da Educação Especial, partindo do conceito de que todas as crianças podem aprender, se forem dadas as condições necessárias ao seu aprendizado (MONTESSORI, 2017). Este artigo é o recorte de um projeto que visa <em>prototipar um jogo híbrido com o artefato robótico Arduino, </em>para isso foi realizada uma pesquisa bibliográfica, visando identificar se são utilizados jogos para desenvolver conteúdos pedagógicos e quais seriam esses jogos. Quanto a pesquisa bibliográfica realizada, pôde-se perceber que são raros os jogos disponibilizados nas salas de referência, por isso, o interesse em abordar essa temática. Realizou-se também um levantamento de dados no sistema <em>mobile</em> para saber que jogos são disponibilizados às pessoas com deficiência visual e como eles funcionam. O projeto que nos referimos aqui está previsto para ocorrer até o ano de 2022 e visa desenvolver propostas educativas envolvendo o contexto de jogos e artefatos robóticos na Educação Básica para crianças e adolescentes com deficiência visual, como forma de promover a inclusão e o acesso à tecnologia, por meio de uma metodologia que envolve a Design Science Research (DSR) que além de desenvolver protótipos, testa e avalia visando gerar novos conhecimentos. Com resultados até o presente momento, identificou-se que os jogos e atividades desenvolvidas com cegos centram-se em ações com audiobraille e que são poucas as alternativas destinadas a este público.</p> Elis Josiane Spohn Bevilaqua Anibal Lopes Guedes Sonize Lepke Copyright (c) 2021 A MARgem - Revista Eletrônica de Ciências Humanas, Letras e Artes 2021-12-28 2021-12-28 18 2 18 29 10.14393/AM-v18n2-2021-61034 Intersecção entre literatura e psicanálise https://seer.ufu.br/index.php/amargem/article/view/61421 <p>No presente trabalho, demonstraremos de forma breve a relação existente e relevante entre a literatura e a psicanálise, entre o leitor atento que busca &nbsp;algo a mais nas entrelinhas do texto e o analista que está sempre procurando compreender mais do que é relatado pelos seus pacientes; e justamente nessa busca pela compreensão analisaremos o conto “ O delírio”, da grande escritora Clarice Lispector, que foi publicado no livro “ Todos os contos”, uma coleção que agrega os maiores escritos da autora em um único volume, na perspectiva da psicanálise, a partir de alguns escritos de Freud e Lacan. Observa-se que os textos literários ocupam um papel significativo na vida das pessoas, possibilitam que os seus leitores sintam os mais variados sentimentos e sensações, desse modo é um excelente aliado para a psicanálise, já que essa busca interpretar os conteúdos presentes na mente humana; a partir de uma interpretação correta é possível orientar os pacientes a um processo de autocura.</p> Jhucyane Pires Rodrigues Gislany Iale Nunes da Silva Roberlane Brito Pereira Fernanda Mikaelle da Silva Maria Aparecida Rodrigues de Melo Ferreira Copyright (c) 2021 A MARgem - Revista Eletrônica de Ciências Humanas, Letras e Artes 2021-11-02 2021-11-02 18 2 30 40 10.14393/AM-v18n2-2021-61421 Formação discursiva https://seer.ufu.br/index.php/amargem/article/view/61796 <p>Esta pesquisa analisa charge sobre a temática política e corrupção, observando assim, a formação discursiva. Este trabalho tem como objetivo investigar como a formação discursiva se constitui no gênero discursivo charge ao mesmo tempo em que se pretende também descrever os efeitos de sentidos produzidos pelas formações discursivas apresentadas nas charges em análise. Nessa perspectiva, o presente trabalho visa expor algumas análises discursivas de charge que foram publicadas nos anos de 2018 e 2019. Para tal investigação foi utilizado como aporte teórico Orlandi (2003), Maingueneau (1997), Ribeiro (2016), Souza (2014), Chauí (2004). Para a realização da pesquisa, a metodologia foi constituída de uma análise descritiva, interpretativa de 2 (duas) charges coletadas das páginas correio braziliense e acervo o globo sobre a temática política e corrupção. Nesse interim, foi possível perceber nas análises discursivas das charges que a formação discursiva atua como um dos fatores primordiais para a manifestação do sujeito, haja vista que por meio dela nos posicionamos e somos capazes de dizer o que queremos, bem como modificar, quando necessário, os nossos discursos a partir de um determinado contexto de produção.</p> Márcia De Brito Pinto Copyright (c) 2021 A MARgem - Revista Eletrônica de Ciências Humanas, Letras e Artes 2021-11-02 2021-11-02 18 2 41 53 10.14393/AM-v18n2-2021-61796 A primeira encenação da peça "Ponto de Partida" https://seer.ufu.br/index.php/amargem/article/view/62423 <p><span style="font-weight: 400;">O objetivo deste artigo é trazer à luz informações sobre a primeira encenação da peça </span><em><span style="font-weight: 400;">Ponto de Partida </span></em><span style="font-weight: 400;">(1976), escrita por Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006) e dirigida por Fernando Peixoto (1937-2012)</span><em><span style="font-weight: 400;">.</span></em><span style="font-weight: 400;"> Este estudo apresenta informações sobre o processo de criação da montagem, seu contexto histórico (principalmente no que tange à atitude dos militares e da censura frente ao espetáculo) e a recepção da crítica e do público diante da encenação. Para tanto, analisei diversos materiais primários sobre a montagem, como: fotos do espetáculo, depoimentos dos artistas que produziram a encenação, gravações de áudio da peça e dez críticas publicadas entre os anos 1976 e 1977. Além disso, busquei outras informações sobre a peça ao entrevistar o ator Antonio Petrin e ao conversar informalmente com Othon Bastos e Ana Braga, todos eles estavam no elenco da montagem. Este artigo faz parte da pesquisa de iniciação científica </span><em><span style="font-weight: 400;">A encenação de Ponto de Partida em 1976: um estudo dos elementos épicos brechtianos</span></em><span style="font-weight: 400;">, processo 2020/08383-0, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e orientada pela Profa. Dra. Larissa de Oliveira Neves Catalão.</span></p> Marco Antonio Pedra da Silva Copyright (c) 2021 A MARgem - Revista Eletrônica de Ciências Humanas, Letras e Artes 2021-11-02 2021-11-02 18 2 54 67 10.14393/AM-v18n2-2021-62423 A Marca da Água https://seer.ufu.br/index.php/amargem/article/view/62611 <p>O presente ensaio visa fazer uma breve discussão e análise sobre a presença da água, como materialidade e como sugestão, no espetáculo A Marca da Água, direção de Paulo de Moraes e dramaturgia de Maurício Arruda Mendonça e Paulo de Moraes. Além disso, têm-se em vista relacionar as simbologias referentes à água já presentes e estabelecidas historicamente por mitos e pela literatura e as suas representações utilizadas para compor a peça. Para a constituição deste trabalho, foi realizado um estudo de caráter bibliográfico que se baseia majoritariamente na perspectiva de Bachelard (1997), Chevalier e Gheerbrant (2020) e Sarrazac (2012). Dessa forma, busca-se entender as ligações da simbologia da água com os acontecimentos físicos, psicológicos e neurológicos da peça, mais especificamente de Laura, personagem protagonista e que se relaciona intimamente com as representações apresentadas, sendo modificada por elas, em sua relação com as outras personagens mas, principalmente, em sua relação consigo mesma.</p> Ana Paula Silva Copyright (c) 2021 A MARgem - Revista Eletrônica de Ciências Humanas, Letras e Artes 2021-11-02 2021-11-02 18 2 68 74 10.14393/AM-v18n2-2021-62611 O espaço das mulheres na história da arte e a invisibilização da expressionista abstrata Lee Krasner https://seer.ufu.br/index.php/amargem/article/view/62726 <p>A mulher foi reprimida e invisibilizada, vivendo à margem do circuito de exposições e do mercado de arte. Com o passar dos anos a reivindicação de reconhecimento tornou-se mais comum em decorrência de movimentos ativistas e a problematização das desigualdades explicitaram as injustiças históricas. Dentre as artistas desvalorizadas e apagadas do conhecimento público, destaca-se a pintora expressionista abstrata Lee Krasner, cujo nome é atrelado à fama do marido Jackson Pollock. Este artigo, por meio de uma revisão histórica, visa entender as raízes dessa exclusão feminina do universo artístico, analisar a invisibilização de Lee Krasner e apontar as desigualdades que permanecem no mercado de arte na contemporaneidade. Ao tecer reflexões sobre os iniciativas e projetos de inclusão da arte realizada por mulheres, busca-se contribuir para a não repetição histórica da evidente desvalorização. As questões sobre o panorama da mulher na arte são abordadas de acordo com Pollock, Nochlin e Araújo, enquanto a vida e obra de Krasner são estudadas a partir de Berger, Anfam, Levin e Cook.</p> Bruna Milek Copyright (c) 2021 A MARgem - Revista Eletrônica de Ciências Humanas, Letras e Artes 2021-11-02 2021-11-02 18 2 75 94 10.14393/AM-v18n2-2021-62726 Variações fonético-fonológicas na fala de moradoras do bairro de Taipas https://seer.ufu.br/index.php/amargem/article/view/62889 <p>Fenômenos fonético-fonológicos dependem de determinados fatores para ocorrerem. Observando as falantes de um bairro da periferia de São Paulo, foi analisado o que ocasiona essas variações, levando em consideração a faixa etária, escolaridade e região em que cresceram. Foram escolhidas informantes com as mais diversas características de vida, vindas das regiões Sudeste, Nordeste e Sul. Em alguns dos casos, também foi levado em consideração se as classes gramaticais podem ser consideradas um agente condicional dessas variações. A montagem do corpus aconteceu por meio de entrevistas, nas quais foram levantadas questões pessoais, como a vivência da entrevistada em zona urbana ou rural, e sobre o bairro, questionando sua opinião sobre Taipas. A bibliografia usada teve base em diversos artigos científicos, teses e livros que discorriam particularidades de cada fenômeno pesquisado. O resultado é que na maioria dos casos o aspecto determinante é o diatópico, seguido pelo diastrático e, por fim, a diageracional.&nbsp; A classe das palavras, em algumas das situações, também teve relevância, como no caso do apagamento do /s/ pós-vocálico em final de sílaba, que tem frequência maior em substantivos e adjetivos. A pesquisa mostra que mesmo vivendo anos em outra cidade, o dialeto da região de criação não pode ser apagado, o que talvez ocorra é uma combinação entre os dois.</p> Giulia Rodrigues da Silva Copyright (c) 2021 A MARgem - Revista Eletrônica de Ciências Humanas, Letras e Artes 2021-11-02 2021-11-02 18 2 95 106 10.14393/AM-v18n2-2021-62889 A inteligência, seus usos e ocorrências nos projetos políticos pedagógicos https://seer.ufu.br/index.php/amargem/article/view/62902 <p>O presente artigo visa discutir as definições atribuídas à inteligência no campo da Educação. Tal discussão é norteada pelos objetivos de pesquisa que integramos como bolsista de iniciação cientifica e orientadora, respectivamente voltados para investigação de definições do item lexical“inteligência”. Dessa forma, foram selecionados dez Projetos Políticos Pedagógicos (PPP)de dez instituições de educação básica públicas e/ou privadas do Estado do Rio de Janeiro, de âmbito federal, estadual e/ou municipal, voltadas para o atendimento a crianças sem e/ou com necessidades especiais. Á luz dos postulados da Linguística de Corpus (SARDINHA, 2000) voltados, em especial, para descrição do léxico, organizamos e analisamos as oito ocorrências do item lexical“inteligência” encontradas em três dos dez PPPs abordados. De acordo com os resultados obtidos, é possível apontar para cinco tipos de definição de inteligência:(i) humana e individual e não emocional; (ii) humana, individual e emocional; (iii) humana, individual e espacial; (iv) humana e coletiva; (v) e não humana e artificial. Além disso, conclui-se que, embora os demais sete PPPs façam menção recorrente ao desenvolvimento cognitivo, intelectual e emocional dos alunos, não relacionam tal desenvolvimento por meio do item lexical “inteligência”.</p> Hellan Jivago Ferreira Ribeiro Fernanda Carneiro Cavalcanti Copyright (c) 2021 A MARgem - Revista Eletrônica de Ciências Humanas, Letras e Artes 2021-11-02 2021-11-02 18 2 107 124 10.14393/AM-v18n2-2021-62902 Identidades presumidas e a dinâmica do reconhecimento no conto “The brothers”, de Lysley Tenorio https://seer.ufu.br/index.php/amargem/article/view/63014 <p><span style="font-weight: 400;">Este artigo pretende discutir a dinâmica do reconhecimento em identidades que fogem daquilo presumido pelos grupos hegemônicos. Para isso, utiliza-se o conceito de identidade presumida de Palumbo-Liu (2000), apoiado nos discursos de Appiah (2018) sobre as expectativas de membros inseridos na vida em sociedade e seus estereótipos, e de Bauman (1995) sobre a ordem que circunda as esferas sociais. A partir da análise, compreende-se que os três personagens escolhidos representam movimentos distintos na dinâmica do reconhecimento, noção discutida por Honneth (2003), em que evidenciam-se uma luta pelo reconhecimento do eu verdadeiro, a incapacidade de conceber o outro como alguém fora dos ideais e imaginados e, por fim, o início do reconhecimento de uma gênese do si que foge dos padrões esperados.</span></p> Juliana Cássia Müller Copyright (c) 2021 A MARgem - Revista Eletrônica de Ciências Humanas, Letras e Artes 2021-11-02 2021-11-02 18 2 125 141 10.14393/AM-v18n2-2021-63014 O texto dramático em sala de aula sob o viés do método performático https://seer.ufu.br/index.php/amargem/article/view/63338 <p>Trabalhar, em sala de aula, com adaptações de obras clássicas parece ser um caminho benéfico para a formação inicial de sujeitos que ainda não possuem o hábito de leitura. Em virtude disso, o presente artigo objetiva apresentar uma proposta de leitura, por intermédio do texto dramático infantil <em>Maria Roupa de Palha</em> (2008) – uma adaptação do conto de fadas clássico <em>Cinderela</em> – dos Irmãos Grimm, da escritora paraibana Lourdes Ramalho, com base na abordagem do Método Performático enquanto instrumento para se ler o texto dramatúrgico. A problemática encontrada para a realização deste estudo deu-se devido à necessidade de se levar à sala de aula gêneros não tão comuns e conhecidos por parte de alunos e professores, como o dramático, que há, ainda, um ideal de que se trata de um texto somente com função para encenar e não para lê-lo. Para a realização deste trabalho, utilizou-se de pesquisa qualitativa de cunho bibliográfico, com base em alguns autores como Arroyo (1990), Formiga (2009), Kefalás (2012), Oliveira (2010), Lúcio (2005) e alguns outros. Espera-se, como resultados, que a proposta de leitura aqui apresentada contribua para as discussões referentes à leitura de textos dramáticos em sala de aula, de modo a formar leitores críticos e reflexivos de obras integrais, sem que se precise recorrer a resumos nem a paráfrases de textos da obra.</p> Rian Lucas da Silva Copyright (c) 2021 A MARgem - Revista Eletrônica de Ciências Humanas, Letras e Artes 2021-12-28 2021-12-28 18 2 142 156 10.14393/AM-v18n2-2021-63338 Oublie-le https://seer.ufu.br/index.php/amargem/article/view/61358 <p>O presente soneto apresenta uma relação enigmática entre o mar e o cão. Conseguintemente, ele brinca com a sonoridade: "Há mar" é escutado como "Amar", e, em francês " la mer " é escutado como " la mére ". Nesta brincadeira há amargura para ser esquecida (assim o motivo do título: Oublie-le/Esqueça-o), e uma amargura mãe de todos, já que pessoas com sensibilidade desejam uma amizade plena. Em paralelo, o texto interpela tanto o ditado budista chinês "O mar de amarguras não tem limites: vire a cabeça para ver a costa" quanto o verso 922 de Nissen Shounin: "O canto de travessia/ no mar de sofrimentos/ é tão somente a voz/ do Myouhourenguekyou." Portanto, é trabalhado aqui a construção do mar em um aspecto simbólico (mar de benquerer, mar-animal, mar-criatura, mar de angústia); tendo o cão que olhava para fora da costa, o mar que olhava para a costa, entretanto, não chegando a tocar o cão, apenas a vibração do latido toca sua ressaca, e, latido que poderia também estar pedindo por um amigo? No fim, o cão é apenas amigo e leal ao homem, de ninguém mais; ficando o mar a fazer seu som de lamento sem parar: "uá uá"; junto com um afecto de desamparo (angústia) da parte do narrador, que vê e não entende o motivo da vida ser assim.</p> Higor Lima da Silva Copyright (c) 2021 A MARgem - Revista Eletrônica de Ciências Humanas, Letras e Artes 2021-11-02 2021-11-02 18 2 157 157 10.14393/AM-v18n2-2021-61358