Entre o corpo e a consciência: propriocepção como Função Psíquica Superior na perspectiva histórico-cultural – uma revisão da literatura
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Resumo
Este artigo apresenta uma revisão da literatura sobre o conceito de propriocepção na perspectiva da Psicologia Histórico-Cultural (PHC), buscando compreender de que modo essa função, amplamente estudada nos campos fisiológico e neurocientífico, pode ser concebida como processo psíquico voluntário e mediado. Sustentado nos pressupostos de Vigotski e de Luria, o estudo parte do entendimento de que o corpo não constitui apenas substrato biológico, mas lócus de constituição da consciência e origem das Funções Psíquicas Superiores (FPS). Assim, investigar a propriocepção sob o enfoque da PHC implica recolocar o corpo no centro da constituição humana, articulando sensação, percepção e consciência. A revisão de literatura foi conduzida segundo o protocolo PRISMA, com buscas nas bases SciELO e Redalyc entre 2000 e 2024. Após o processo de seleção, leitura dos títulos, resumos e textos completos, apenas três artigos apresentaram aproximação efetiva entre propriocepção e pressupostos da PHC, ainda que de forma parcial. Identificou-se predominância de estudos que tratam a propriocepção sob enfoques fisiológicos ou neurofenomenológicos, mesmo quando citam Luria, sem integrar a mediação social, a gênese cultural ou a interfuncionalidade das FPS. A ausência de trabalhos que articulem diretamente propriocepção e PHC evidencia uma lacuna teórico-metodológica relevante. A análise dos estudos selecionados permitiu compreender que a propriocepção, embora fundada em processos sensoriais, pode ser concebida, na PHC, como função psíquica que se desenvolve por internalização, mediação cultural e atividade voluntária. Nessa perspectiva, sensação, percepção e consciência constituem um sistema integrado que possibilita, ao sujeito, agir intencionalmente no mundo. Conclui-se que a literatura carece de formulações que considerem o corpo como princípio epistemológico e como matriz histórica da consciência, indicando a necessidade de aprofundar investigações que articulem corpo, cultura e constituição humana na abordagem histórico-cultural.
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