Projeto “Tapajós Solar”
educação popular, energia solar descentralizada e resistência amazônica no rio Tapajós
DOI:
https://doi.org/10.14393/REP-2025-79202Palavras-chave:
Educação, Socioambientalismo, Amazônia, Soberania, Energia sustentávelResumo
Este artigo analisa e sistematiza a experiência do projeto “Tapajós Solar”, desenvolvido na região do Baixo Tapajós, no Pará (PA), com o objetivo de compreender seus impactos técnicos, pedagógicos, sociais e políticos no contexto da transição energética. A pesquisa adota a abordagem da pesquisa participante, articulada à sistematização de experiências, envolvendo comunidades, organizações sociais e sujeitos locais na construção, implementação e análise das ações. O projeto promoveu a implantação de sistemas de energia solar descentralizada em territórios urbanos, rurais, ribeirinhos e indígenas, associada a processos formativos baseados na educação popular. Os resultados indicam a ampliação do acesso à energia, o fortalecimento da autonomia comunitária e a apropriação social da tecnologia. Ademais, observam-se impactos no campo organizativo e político, com destaque para a incidência na formulação de políticas públicas, como a Lei Municipal n.º 21.903/2023, voltada à adoção de energia solar em escolas públicas. Conclui-se que a experiência evidencia o potencial da geração descentralizada, articulada à participação social e à formação crítica, como estratégia para a construção de uma transição energética justa, enraizada nos territórios amazônicos e comprometida com a justiça socioambiental.
Downloads
Referências
ACSELRAD, H. Justiça ambiental e construção social do risco. Desenvolvimento e Meio Ambiente, Curitiba, n. 5, p. 49-60, 2002. DOI 10.5380/dma.v5i0.22116. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/made/article/view/22116. Acesso em: 25 mar. 2026.
ALVES, R. Educação dos sentidos e mais... Campinas: Verus, 2012.
ARÉVALO, T. R. Sociedade e energia: construindo a transição energética de e para as pessoas e comunidades. São Leopoldo: Casa Leiria, 2022.
ARROYO, M. G. Ofício de mestre: imagens e autoimagens. Petrópolis: Vozes, 2012.
BLASER, A.; SCOLES, R. Um mergulho nos ecossistemas da bacia do Tapajós: conhecendo a sua biodiversidade. In: ROCHA, B. C.; et al. (org.). Tapajós sob o sol: mergulho nas características ecológicas, socioculturais e econômicas da bacia hidrográfica. [S. l.]: International Rivers, 2022. p. 16-35.
BOFF, L. Sustentabilidade: o que é – o que não é. Petrópolis: Vozes, 2015.
BRANDÃO, C. R. O que é educação popular. São Paulo: Brasiliense, 2017.
BRANDÃO, C. R. O que é Método Paulo Freire. São Paulo: Brasiliense, 2006.
BRANDÃO, C. R. Pesquisa participante. 8. ed. São Paulo: Brasiliense, 1999.
BURKE, M. J.; STEPHENS, J. C. Energy democracy: goals and policy instruments for sociotechnical transitions. Energy Research & Social Science, Países Baixos, v. 33, p. 35-48, 2017. DOI 10.1016/j.erss.2017.09.024. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2214629617303031. Acesso em: 12 nov. 2025.
BURSZTYN, M. Energia solar e desenvolvimento sustentável no semiárido: o desafio da integração de políticas públicas. Estudos Avançados, São Paulo, v. 34, n. 98, p. 167-186, 2020. DOI 10.1590/s0103-4014.2020.3498.011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ea/a/HRtVCv9DddGGWWD3ZGmHvfK/?format=html&lang=pt. Acesso em: 12 nov. 2025.
CALDART, R. S. et al. (org.). Dicionário da educação do campo. Rio de Janeiro; São Paulo: Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio; Expressão Popular, 2012.
CARMO, E. M. A. O projeto hegemônico e os projetos alternativos de desenvolvimento no Amapá. Geo UERJ, Rio de Janeiro, n. 40, p. e64996, 2022. DOI 10.12957/geouerj.2022.64996. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/geouerj/article/view/64996. Acesso em: 12 nov. 2025.
CARVALHO, I. C. M. A invenção ecológica: narrativas e trajetórias da educação ambiental no Brasil. 3. ed. Porto Alegre: UFRGS, 2008.
CASTRO, E. Expansão da fronteira, megaprojetos de infraestrutura e integração sul-americana. Caderno CRH, Salvador, v. 25, n. 64, p. 45-61, 2012. DOI 10.1590/S0103-49792012000100004. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ccrh/a/NZSbnDJdKLMvfNgtDKcp3jb/abstract/?lang=pt. Acesso em: 12 nov. 2025.
CAVALCANTE, M. M. A. et al. Hidrelétricas e unidade de conservação na Amazônia. Mercator, Fortaleza, v. 20, p. e20017, 2021. DOI 10.4215/rm2021.e20017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/mercator/a/gQS78YPmMpkWrtMJntbG3qz/?lang=pt. Acesso em: 12 nov. 2025.
CHOMSKY, N.; POLLIN, R.; POLYCHRONIOU, C. J. Crise climática e o Green New Deal Global: a economia política para salvar o planeta. Rio de Janeiro: Roça Nova, 2022.
COSTA, T. Prefeitura de Santarém inicia instalação de placas solares em escolas municipais da região urbana. Prefeitura de Santarém, 2025. Disponível em: https://santarem.pa.gov.br/noticias/educacao/prefeitura-de-santarem-inicia-instalacao-de-placas-solares-em-escolas-municipais-da-regiao-urbana-oejzhk. Acesso em: 20 mar. 2026.
DOWBOR, L. A era do capital improdutivo: a nova arquitetura do poder, sob dominação financeira, sequestro da democracia e destruição do planeta. São Paulo: Autonomia Literária, 2017.
ESCOBAR, A. Designs for the pluriverse: radical interdependence, autonomy, and the making of worlds. Durham: Duke University Press, 2018.
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 1987.
FREIRE, P. Educação como prática da liberdade. 23. ed. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 2002.
GADOTTI, M. Ecopedagogia, pedagogia da terra, pedagogia da sustentabilidade, educação ambiental e educação para a cidadania planetária: conceitos e expressões diferentes e interconectados por um projeto comum. São Paulo: Instituto Paulo Freire; Centro de Referência Paulo Freire, 2009.
GADOTTI, M. Educar para a sustentabilidade: uma contribuição à Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável. São Paulo: Instituto Paulo Freire, 2008.
GOHN, M. G. Movimentos sociais e redes de mobilizações civis no Brasil contemporâneo. Petrópolis: Vozes, 2010.
GOLDEMBERG, J.; LUCON, O. Energia, meio ambiente e desenvolvimento. 3. ed. São Paulo: Edusp, 2007.
HARVEY, D. O novo imperialismo. São Paulo: Edições Loyola, 2003.
HIGUCHI, M. I. G.; MOREIRA JUNIOR, W. Educação ambiental e movimentos sociais: espaços paralelos ou compartilhados? Pesquisa em Educação Ambiental, São Paulo, v. 4, n. 2, p. 165-174, 2009. DOI 10.11606/issn.2177-580X.v4i2p165-174. Disponível em: https://revistas.usp.br/pea/pt_BR/article/view/30068. Acesso em: 12 nov. 2025.
HOLLIDAY, O. J. Para sistematizar experiências. 2. ed. Brasília: MMA, 2006.
IPCC. INTERGOVERNMENTAL PANEL ON CLIMATE CHANGE. AR6 synthesis report: climate change 2023. IPCC, 2023. Disponível em: https://www.ipcc.ch/report/ar6/syr/. Acesso em: 19 mar. 2026.
IRENA. INTERNATIONAL RENEWABLE ENERGY AGENCY. Future of solar photovoltaic: deployment, investment, technology, grid integration and socio-economic aspects. Abu Dhabi: Irena, 2019.
JACOBI, P. Educação ambiental, cidadania e sustentabilidade. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, n. 118, p. 189-205, 2003. DOI 10.1590/S0100-15742003000100008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cp/a/kJbkFbyJtmCrfTmfHxktgnt/abstract/?lang=pt. Acesso em: 12 nov. 2025.
LIMA, G. F. C.; LAYRARGUES, P. P. Mudanças climáticas, educação e meio ambiente: para além do conservadorismo dinâmico. Educar em Revista, Curitiba, n. esp. 3, p. 73-88, 2014. DOI 10.1590/0104-4060.38108. Disponível em: https://www.scielo.br/j/er/a/cy3gYL6yvvbtgHX4ZFGYXmx/abstract/?lang=pt. Acesso em: 12 nov. 2025.
LOUREIRO, V. R. Amazônia: uma história de perdas e danos, um futuro a (re)construir. Estudos Avançados, São Paulo, v. 16, n. 45, p. 107-121, 2002. DOI 10.1590/S0103-40142002000200008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ea/a/DzYjwpvT3vxySGCnwpK6BDw/?lang=pt. Acesso em: 12 nov. 2025.
LUND, H. Renewable energy systems: a smart energy systems approach to the choice and modeling of 100% renewable solutions. Inglaterra: Academic Press, 2014.
MARTÍNEZ ALIER, J. O ecologismo dos pobres. São Paulo: Contexto, 2012.
MOORE, J. W. Capitalism in the web of life: ecology and the accumulation of capital. Londres: Verso, 2015.
MORAL HERNANDEZ, F. Hidrelétricas na Amazônia: renovabilidade e não renovabilidade da política energética: se é desejável a renovabilidade das formas de conversão de energia, por que não é desejável renovar a política energética? Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi: Ciências Humanas, Belém, v. 7, n. 3, p. 791-811, 2012. DOI 10.1590/S1981-81222012000300012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/bgoeldi/a/cXvH5NPD75vvgSCtXv79Wqd/?lang=pt. Acesso em: 12 nov. 2025.
NOBRE, C. A. et al. Land-use and climate change risks in the Amazon and the need of a novel sustainable development paradigm. National Academy of Sciences, [S. l.], v. 113, n. 39, p. 10759-10768, 2016. DOI 10.1073/pnas.1605516113. Disponível em: https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.1605516113. Acesso em: 24 mar. 2026.
PINHO, J. T.; GALDINO, M. A. (org.). Manual de engenharia para sistemas fotovoltaicos. Rio de Janeiro: Cepel – Cresesb, 2014.
PORTELA, L. J. P. et al. Uma energia boa para salvar nosso rio: monitoramento do potencial de energia solar no Tapajós. In: PINTO, D. G. et al. (org.). Monitoramento territorial independente na Amazônia: reflexões sobre estratégias e resultados. São Paulo: FGVCes, 2021. p. 143-152.
PORTELA, L. J. P.; SANTOS, J. V. Do sol à Amazônia: uma reflexão sobre hidrelétricas e análise das práticas de energia solar no rio Tapajós. Homa Publica: Revista Internacional de Direitos Humanos e Empresas, Juiz de Fora, v. 4, n. 1, p. e:058, 2020. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/HOMA/article/view/30501. Acesso em: 12 nov. 2025.
PORTO-GONÇALVES, C. W. A globalização da natureza e a natureza da globalização. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006.
SOVACOOL, B. K. How long will it take? Conceptualizing the temporal dynamics of energy transitions. Energy Research & Social Science, Países Baixos, v. 13, p. 202-215, 2016. DOI 10.1016/j.erss.2015.12.020. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2214629615300827. Acesso em: 12 nov. 2025.
TAVARES, M. G. C.; COELHO, M. C. N.; MACHADO, L. O. Redes de distribuição de energia e desenvolvimento regional na Amazônia Oriental. Novos Cadernos NAEA, Belém, v. 9, n. 2, p. 99-134, 2006. DOI 10.5801/ncn.v9i2.64. Disponível em: https://periodicos.ufpa.br/index.php/ncn/article/view/64. Acesso em: 24 mar. 2026.
TENÓRIO, F. G. Gestão social: uma perspectiva conceitual. Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, v. 32, n. 5, p. 7-23, 1998. Disponível em: https://periodicos.fgv.br/rap/article/view/7754. Acesso em: 12 nov. 2025.
UNISINOS. UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS. Uma educação popular para o cuidado em tempos de emergência climática. Instituto Humanitas Unisinos, 2024. Disponível em: https://www.ihu.unisinos.br/categorias/160-cepat/638303-uma-educacao-popular-para-o-cuidado-em-tempos-de-emergencia-climatica. Acesso em: 11 abr. 2024.
VASCONCELOS, V. O. et al. Educação popular e meio ambiente: diálogos com populações tradicionais amazônicas. Ambiente & Educação, Rio Grande, v. 15, n. 1, p. 47-66, 2010. Disponível em: https://periodicos.furg.br/ambeduc/article/view/879. Acesso em: 12 nov. 2025.
VILLALVA, M. G.; GAZOLI, J. R. Energia solar fotovoltaica: conceitos e aplicações. São Paulo: Érica, 2012.
ZIESMANN, C. I. et al. Rodas de conversas e oficinas pedagógicas: uma possível estratégia para sensibilizar e refletir sobre a educação ambiental. Revista de Educação, Ciências e Matemática, Duque de Caxias, v. 12, n. 1, p. e6076, 2022. Disponível em: https://publicacoes.unigranrio.edu.br/recm/article/view/6076. Acesso em: 12 nov. 2025.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Lindon Johnson Pontes Portela, Lucidalva Cardoso do Nascimento, Raimundo Carlos Ferreira Alves, Edilberto Francisco Moura Sena

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam em manter os direitos autorais e conceder à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.


