A Metodologia de Participação Social para P&D Aneel no Veredas Sol e Lares como prática insurgente de transição energética
DOI:
https://doi.org/10.14393/REP-2025-81872Palavras-chave:
Transição energética popular, Educação popular, Associação Estadual de Prossumidores de Geração Distribuída de Minas Gerais, Crise climáticaResumo
Este artigo apresenta a experiência do Projeto Veredas Sol e Lares, realizado no Vale do Jequitinhonha/MG e na região do Rio Pardo/MG, que resultou na construção da Metodologia de Participação Social para P&D Aneel (MPSPDA). A iniciativa articulou a implantação de uma Usina Solar Fotovoltaica Flutuante (UFV) com práticas de educação popular, organização comunitária e engajamento territorial, diante dos desafios da crise climática. A metodologia foi desenvolvida de forma processual e coletiva, inspirada na pedagogia freireana, na pesquisa-ação e em metodologias participativas, tendo como centralidade a formação de pesquisadores populares e a valorização dos saberes insurgentes das comunidades. O percurso demonstrou que a transição energética popular exige mais que inovações tecnológicas, por requerer arranjos sociais capazes de democratizar o acesso, redistribuir poder e superar a lógica hegemônica e tecnocrática do setor elétrico. Entre as contribuições, destaca-se a sistematização de etapas que ampliam a participação social em projetos de energia, a valorização dos saberes territoriais como fundamentos de novas racionalidades energéticas e a criação de arranjos institucionais inovadores. Conclui-se que a MPSPDA configura-se como prática insurgente que desloca a produção de conhecimento para o campo das comunidades, constituindo um aporte metodológico enraizado em experiências locais e referência para a justiça climática.
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