A Insurreição Estética de Grada Kilomba: entre a desobediência e a possibilidade de uma aisthesis decolonial
DOI:
https://doi.org/10.14393/OUV-v21n1a2025-77285Palavras-chave:
Walter Mignolo, Grada Kilomba, Colinialidade, Teoria da Arte, Aisthesis DescolonialResumo
A questão da arte vêm se reconfigurando desde meados do século XX, especialmente após as vanguardas e sua ruptura com a lógica da obra de arte como objeto. Mais recentemente, estudos críticos têm evidenciado a indissociabilidade entre modernidade e colonialidade (Mignolo, 2003; 2007, por exemplo), desafiando as bases epistêmicas e estéticas do cânone da história da arte ocidental. Assim sendo, este artigo tem como objetivo investigar de que modo a obra da artista e pesquisadora Grada Kilomba (2019) pode ser compreendida como gesto de insurreição estética e desobediência epistêmica frente ao paradigma moderno-colonial. A análise usa como eixo discursivo o conceito de aisthesis decolonial (Mignolo e Vázquez, 2010; 2013), pensado aqui como um convite à reinvenção sensível dos modos de sentir, conhecer e existir. A metodologia articula análise conceitual com estudo de caso, centrado na exposição Desobediências Poéticas, apresentada em 2019 na Pinacoteca de São Paulo. Busca-se, assim, tensionar as fronteiras entre teoria e prática, entre arte e cura, compreendendo a exposição como ação performativa capaz de visibilizar as feridas coloniais e instaurar novas sensibilidades. Argumenta-se, por fim, que a obra de Kilomba propõe um modo de reexistência estética que desobedece à colonialidade dos saberes e das formas, apontando para a possibilidade de uma aisthesis outra — situada, insurgente e radicalmente viva.
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