Aprendizagens multiespécies com a floresta amazônica: pensar com jardins de formigas
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Resumo
Este texto germina a partir de encontros, atravessamentos e inquietações com a Amazônia. Escrever com a floresta: deixar-se afetar pelo assombro e pelo encantamento. Buscou-se pensar a floresta como coletivo simpoiético multiespécie, cujas relações emaranhadas criam e sustentam mundos. O diário de campo que se entrelaça ao texto experimenta e cultiva a atenção para esses mundos emaranhados, sem reduzir sua complexidade. Abrem-se questões acerca do encontro com um Jardim de Formigas: uma composição viva que se dá a partir de relações mutualísticas entre formigas e plantas. Relações multiespécies escrevem histórias complexas, intrincadas e situadas no espaço-tempo. Aprender com a composição de histórias, ter as florestas como parceiras de pensamento, propicia, quem sabe, imprever o fim do mundo.
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