Escuela, laicidad y República en Brasil: historia y desafíos

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Carlos Roberto Jamil Cury

Resumen

Este artículo, basado en documentos y bibliografía relevantes para el tema, y tras conceptualizar el secularismo y la secularización como categorías de análisis, busca presentar una historia de la relación entre la escuela, el secularismo y la República en Brasil. Partiendo del estado confesional durante el Imperio, el artículo presenta el paradigma republicano secular entre 1889 y 1930. En este paradigma, el Estado se separa de las iglesias y reconoce el respeto por el ejercicio de la libertad religiosa y de culto en la sociedad civil. La educación pública se laica. A partir de la década de 1930, el reconocimiento del fenómeno religioso, además de garantizar los derechos fundamentales, flexibilizó el secularismo, incluyendo la impartición obligatoria de educación religiosa en las escuelas públicas, con matrícula opcional. Esta flexibilidad no estuvo exenta de controversias. También surgieron alianzas en otros sectores mediante el concepto de cooperación mutua en beneficio del interés colectivo. A partir de la década de 1980, se produjo un crecimiento significativo de las iglesias evangélicas. Distribuidas entre unas pocas iglesias grandes y muchas pequeñas, estas comprendieron la importancia de entrar en la arena política. A diferencia de la Iglesia Católica, que aconseja a sus religiosos evitar la participación política directa, delegando dicho liderazgo en laicos y actuando mediante la defensa de sus intereses, las iglesias evangélicas adoptan el enfoque opuesto. Esta acción es impulsada por líderes electos, con el apoyo de una amplia presencia en los medios de comunicación estatales, y mediante el uso intensivo de las redes sociales, comienzan a influir en los fieles impulsando una agenda conservadora, incluso mediante proyectos que la incorporan a las escuelas públicas. Esta situación sitúa el tema de la escuela, la república y la laicidad en el centro de la lucha por la democracia, pilar y fundamento de una sociedad en la que la lucha por las libertades laicas plantea cuestiones candentes en la relación entre las iglesias y el Estado.

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Articulo Especial

Biografía del autor/a

Carlos Roberto Jamil Cury, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (Brasil)

Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq -Nível SR

https://orcid.org/0000-0001-5555-6602

http://lattes.cnpq.br/2686596980826238

crjcury.bh@terra.com.br

Cómo citar

Cury, C. R. J. (2026). Escuela, laicidad y República en Brasil: historia y desafíos. Cadernos De História Da Educação, 25(Contínua), e2026-01. https://doi.org/10.14393/che-v25-e2026-01

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