Memória, Saberes e Território
DOI:
https://doi.org/10.14393/OREG-v17-n1-2026-84022Palavras-chave:
Práticas Ancestrais; Resiliência Comunitária; Gerações; Fronteiras Agrícolas; Saúde Coletiva.Resumo
Este trabalho investiga a ancestralidade como alicerce para a gestão sustentável da terra e a reprodução social de povos e comunidades tradicionais na Serra dos Paus Dóias, localizada no município de Exu (PE), na Chapada do Araripe, na Caatinga, semiárida brasileira. Apoiando-se ao conceito de Milton Santos sobre “território usado”, a pesquisa analisa como as práticas cotidianas de agricultores familiares, raizeiros, benzedores, mateiros e artesãos ressignificam o espaço geográfico frente às pressões hegemônicas de modelos de desenvolvimentos exógenos e trabalham a saúde coletiva dentro desse território. A metodologia fundamenta-se na abordagem qualitativa com perspectiva etnoecológica, utilizando rodas de conversa, contação de histórias e observação participante das atividades de roçado e extrativismo. A contextualização geoecológica e sócio-histórica demonstra que as condições excepcionais da Chapada do Araripe dão suporte material a uma economia de reciprocidade (troca de sementes e mutirões) que se organiza em redes comunitárias. Conclui-se que a indissociabilidade entre memória, identidade e práxis política local transforma o espaço habitado em um “território vivo”, onde a permanência e a sustentabilidade no Semiárido dependem da continuidade histórica dos saberes herdados e construídos de forma coletiva diariamente.
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Copyright (c) 2026 Fernanda de Sousa Lermen, Vanessa Caroline Miranda Ferreira, Maria Silvanete Benedito de Sousa Lermen, Vilmar Luiz Lermen, Rivaldo Mauro de Faria

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