Memória, Saberes e Território

Autores

  • Fernanda de Sousa Lermen Universidade Federal de Uberlândia
  • Vanessa Caroline Miranda Ferreira Universidade Federal de Uberlândia
  • Maria Silvanete Benedito de Sousa Lermen UNIVASF
  • Vilmar Luiz Lermen UNIVASF
  • Rivaldo Mauro de Faria Universidade Federal de Uberlândia

DOI:

https://doi.org/10.14393/OREG-v17-n1-2026-84022

Palavras-chave:

Práticas Ancestrais; Resiliência Comunitária; Gerações; Fronteiras Agrícolas; Saúde Coletiva.

Resumo

Este trabalho investiga a ancestralidade como alicerce para a gestão sustentável da terra e a reprodução social de povos e comunidades tradicionais na Serra dos Paus Dóias, localizada no município de Exu (PE), na Chapada do Araripe, na Caatinga, semiárida brasileira. Apoiando-se ao conceito de Milton Santos sobre “território usado”, a pesquisa analisa como as práticas cotidianas de agricultores familiares, raizeiros, benzedores, mateiros e artesãos ressignificam o espaço geográfico frente às pressões hegemônicas de modelos de desenvolvimentos exógenos e trabalham a saúde coletiva dentro desse território. A metodologia fundamenta-se na abordagem qualitativa com perspectiva etnoecológica, utilizando rodas de conversa, contação de histórias e observação participante das atividades de roçado e extrativismo. A contextualização geoecológica e sócio-histórica demonstra que as condições excepcionais da Chapada do Araripe dão suporte material a uma economia de reciprocidade (troca de sementes e mutirões) que se organiza em redes comunitárias. Conclui-se que a indissociabilidade entre memória, identidade e práxis política local transforma o espaço habitado em um “território vivo”, onde a permanência e a sustentabilidade no Semiárido dependem da continuidade histórica dos saberes herdados e construídos de forma coletiva diariamente.

Biografia do Autor

  • Vanessa Caroline Miranda Ferreira, Universidade Federal de Uberlândia

    ​Graduanda em Saúde Coletiva pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Técnica em Enfermagem, Instrumentadora Cirúrgica, Especialista no Cuidado com Idosos e Massoterapeuta pelo Se7e Cursos. Possui experiência na assistência hospitalar e domiciliar, atuando no Hospital de Clínicas da UFU (HC-UFU) e como educadora na área de enfermagem, ministrando cursos livres.

  • Maria Silvanete Benedito de Sousa Lermen, UNIVASF

    Maria Silvanete Benedito de Sousa Lermen, possui Mestrado em Extensão Rural pela UNIVASF, Graduada em Ciências Humanas, agroflorestora, apicultora e meliponicultora, educadora popular, associada da AGRODÓIA, coordenadora de projetos, realiza assessora técnica e de extensão rural, benzedeira de mãos postas, membra da Rede Aroeira Saúde da Mulher Campo e Cidade, membra de RAMA - Rede de mulheres agroflorestora no Brasil. Coordenadora do Espaço de Vivência Maiêutica. Atuando principalmente nos seguintes temas: ancestralidade, curandeiras, medicina popular, agrofloresta, vivências em roda, semiárido, convivência, cientistas ancestrais; benzedeira, raizeira, cosmonucleação, regeneração, plantas medicinais e orientadora em saúde comunitária.

  • Vilmar Luiz Lermen, UNIVASF

    Doutorando em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial pela UNIVASF. Mestrado em Extensão Rural e Aperfeiçoamento em Tecnologias de Baixa Emissão de Carbono - Fortalecendo a Convivência com o Semiárido (TecABC) ambos pela UNIVASF. Especialista em Gestão e Manejo de Recursos Ambientais pelo IFCE. Especialista em Geografia pela UPE. Pedagogo pela UNIJUÍ. Agricultor agroflorestal, com experiência em metodologias participativas com agricultores familiares e manejo de Sistemas Agroflorestais (SAFs) no Semiárido. Facilito oficinas e cursos no Sertão do Araripe pernambucano e no Nordeste. Membro da AGRODOIA, do MAIS e ONGs CAATINGA E CENTRO SABIÁ. Sou apicultor e meliponicultor há mais de 25 anos. Sou facilitador de cursos de gestão de água e cisternas de placas (P1MC e P1+2, da ASA) e de Educação Contextualizada para o Semiárido. Participo da coordenação de organizações sociais, comissões e conselhos na Região do Araripe (AGRODOIA, CDME, COMTUR, STR/EXU) e APA Chapada do Araripe. Possuo experiência em agropecuária, coordenação de projetos, agrofloresta, sementes crioulas e agroindústria familiar. Orientamos estudantes em TCC, participamos de pesquisas com Universidades, Institutos Federais e Sociedade Civil. Faço parte da startup Canteiro, como consultor agroflorestal e bolsista do CNPq/RHA e no projeto Reflora, auxiliando no desenvolvimento de uma plataforma digital de design e planejamento de produção e renda de SAFs e via Agroflorestando ao Pé da Planta, assessoramos comunidades em SAFs na África no Sahel no Senegal e nas Florestas na Guiné de forma presencial e virtual.

  • Rivaldo Mauro de Faria, Universidade Federal de Uberlândia

    Professor Associado dos cursos de graduação e pós-graduação em Geografia do Instituto de Geografia, Geociências e Saúde Coletiva (IGESC) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). É Graduado em Geografia (FFCL/OF), Mestre e Doutor em Geografia (Unicamp), com Pós-Doutoramentos na Universidade de Coimbra (2012-2013) e Universidade de São Paulo (2025-2026). Foi docente da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) (2014-2021) e do Programa de Pós-Graduação em Geografia da mesma universidade (2016-2025). Nesse período, fundou e coordenou o Núcleo de Pesquisas em Geografia da Saúde (NePeGS), foi editor da Revista Geografia, Ensino Pesquisa (2018-2019) e coordenou projetos financiados pelo CNPq para avaliar a saúde infantil na escala nacional e projetos locais de intervenção nos sistemas de saúde municipais do Rio Grande do Sul. É pesquisador bolsista do Centro de Síntese em Saúde para Mudança do Clima, Biodiversidade e Poluição da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), sendo responsável pela produção de síntese de evidências sobre as capacidades adaptativas em saúde nas periferias urbanas brasileiras diante das mudanças climáticas. É também coordenador do projeto Índice de Privação Social: avaliação multicritério da pobreza urbana em Minas Gerais, Brasil, sob financiamento do pelo CNPq. Suas áreas de atuação se dão na interface entre Geografia e Saúde, com destaque para estudos sobre Saúde Urbana, Pobreza Urbana, Estatísticas Espaciais, Modelos Multicritérios; Territorialização da Saúde. 

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Publicado

2026-10-16

Como Citar

Memória, Saberes e Território. (2026). Observatorium: Revista Eletrônica De Geografia, 17(1), 630-651. https://doi.org/10.14393/OREG-v17-n1-2026-84022