Tertúlias dialógicas, um modo de ler e escreviver o mundo (feminino)
anotações metodológicas e conceituais de um projeto de extensão com mulheres em situação de vulnerabilidade social
DOI:
https://doi.org/10.14393/REE-2026-80267Palavras-chave:
Extensão, Mulheres em situação de vulnerabilidade social, Tertúlias dialógicas, Escrevivência, Produção textualResumo
Este trabalho apresenta resultados do projeto de extensão com interface com a pesquisa “Escrevivências femininas: traçando linhas em educação, direitos humanos e políticas públicas em Varginha/MG”, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de Minas Gerais e realizado pelo grupo de pesquisa Gênero Pela Não Intolerância, da Universidade Federal de Alfenas. Com a proposta de promover, junto a mulheres em situação de vulnerabilidade social e de risco, atendidas por instituições de assistência social da cidade de Varginha, em Minas Gerais, uma autorreflexão acerca de suas experiências e vivências, o projeto ofertou oficinas culturais fazendo uso metodológico das tertúlias dialógicas e do conceito de “escrevivência”. A partir da reflexão/autorreflexão coletiva, empreendida nas rodas de conversa das tertúlias, as mulheres participantes produziram textos diversos, expressando seus sentimentos e percepções relativos a diversos temas, como trabalho reprodutivo, estereótipos de gênero e violências. A produção material de suas expressões (suas escrevivências), por meio de suas falas e de suas escritas, as legitimou como produtoras de conhecimento, rompendo com a lógica de silenciamento que historicamente as atravessava e reconfigurando seus lugares sociais e afetivos. Ao partilharem suas narrativas, elas produziram reconhecimento mútuo, elaboraram estratégias de resistência e construíram uma memória comum.
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