Invisibilidades de gênero

a representação das mulheres no livro didático de história

Autores

  • Cyntia Simioni França UNESPAR
  • Drieli Fassioli Bortolo UEM
  • Gabriela Aparecida Grego PUC Campinas

DOI:

https://doi.org/10.14393/

Palavras-chave:

Gênero. Livros Didáticos. Ensino de História

Resumo

O presente trabalho intentou, a partir da análise do livro didático do 7º ano de História da Editora Scipione, publicado em 2015, focalizar na presença/ausência das mulheres dentro dessa produção e contribuir para a reflexão a respeito da temática em materiais com finalidade pedagógica. Destarte, a partir das análises realizadas, percebemos que a figura feminina é representada de maneira subalternizada à figura masculina. Ou, então, são representadas como “curiosidades” nesses espaços que parecem ser exclusivos aos homens. Tanto em textos quanto em boxes, imagens e/ou atividades, destacamos a ausência das mulheres nos conteúdos históricos na maioria dos capítulos. Com isso, esta pesquisa torna-se relevante por propor uma investigação a respeito das presenças e ausências das mulheres nesse material didático, corroborando para o entendimento da sociedade brasileira atual. Assim, almejamos por meio dos estudos realizados e reflexões propostas poder tencionar acerca das questões de gênero, instigando professores, educadores e pesquisadores a subverterem a ordem patriarcal e misógina que impera no Brasil e no mundo por meio de novas pesquisas, abordagens outras no ensino de História e leituras a contrapelo.

Biografia do Autor

  • Cyntia Simioni França, UNESPAR

    Docente do Programa de Pós-Graduação de História Pública e ProfHistória da Unespar/Campo Mourão.

  • Drieli Fassioli Bortolo, UEM

    Discente do Programa de Pós-Graduação em Educação (UEM) pela Universidade Estadual De Maringá- Paraná. Mestre m História Pública pela Unespar.

  • Gabriela Aparecida Grego, PUC Campinas

    Graduada em História pela Pontifícia Universidade Católica (PUC)/Campinas.

Referências

AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. São Paulo: Pólen, 2019.

ALEXANDER, Brooks; RUSSELL, Jefrey. História da bruxaria. 2 ed. São Paulo: Aleph, 2019.

BALLESTRIN, Luciana Maria de Aragão. Feminismos Subalternos. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 25, n. 3, set./dez. 2017.

BEAUVOIR, Simone de. O segundo Sexo. II A Experiência vivida. 2ª Edição. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1967.BENJAMIN, Walter. Sobre o Conceito da História. In: ______. Obras escolhidas: magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1985. (Magia e técnica, arte e política, v. I).

BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. O saber histórico na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2002.

_____. Ensino de História: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2004.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Centro Gráfico, 1988.

CHERVEL, André. História das Disciplinas Escolares: reflexões sobre um campo de pesquisa. Revista Teoria e Educação, Porto Alegre, v. 2, 1990.

CHOPPIN, Alain. Le livre scolaire. In: CHARTIER, Roger.; MARTIN, Henri-Jean. H. J. Histoire de L’édition française: lv. 4 Le livre concurrencé, 1900-1950. Paris: Fayard, Cercle de la Libraire, 2004.

CUNHA, Maria de Fatima. Temas Transversais dos PCNs: uma análise de gênero e sexualidade. In: ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE HISTÓRIA – ANPUH, SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, XXIV., Anais... São Leopoldo, 2007. p. 2. Disponível em: <http://anpuh.org/anais/wp-content/uploads/mp/pdf/ANPUH.S24.0499.pdf>. Acesso em: 10 fev. 202114.

FERNANDES, Danubia de Andrade. O gênero negro: apontamentos sobre gênero, feminismo e negritude. Estudos feministas, Florianópolis, v. 24, n. 3, p. 691-713, set./dez. 2016.

FONSECA, Thais Nivia de Lima. História & Ensino de História. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.

LANDER, Edgardo. Ciências sociais: saberes coloniais e eurocêntricos. In:_____ A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais – perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: Clacso, 2005, p. 8-23.

MIGNOLO, Walter. Colonialidade: o lado mais escuro da modernidade. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 32, n. 94, p. 1-18, maio/ago. 2017.

NOGUEIRA, Juliana Keller; FELIPE, Delton Aparecido; TERUYA, Teresa Kazuco. Conceitos de gênero, etnia e raça: reflexões sobre a diversidade cultural na educação escolar. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL FAZENDO GÊNERO, 8., Anais... Florianópolis, 2008, p. 1-7. Disponível em: Acesso em: 18 fev. 2014.

PEDRO, Joana Maria. Traduzindo o debate: o uso da categoria gênero na pesquisa histórica. Revista História, São Paulo, vol. 24, n. 1, p. 77-98, jan./jun. 2005.

PERROT, Michele. Escrever uma história das mulheres: relato de uma experiência. Dossiê História das Mulheres no Ocidente. Cadernos Pagu, Campinas, . v. 1, nN. 4,. Campinas: Núcleo de Estudos de Gênero/UNICAMP, p. 9-28, jan./jun. 1995.

PORTO-GONÇALVES, Carlos Walter. Apresentação da edição em português. In:

LANDER, Edgardo. A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais – perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: Clacso, 2005, p. 3-5.

SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação e Realidade, Porto Alegre, v. 16, n. 2, p. 5-22, jul./dez. 1995.

SILVA, Cristiane B. O saber histórico escolar sobre as mulheres e a relação de gênero nos livros didáticos de história. Caderno Espaço Feminino, Uberlândia, v. 17, n. 1, p. 219-246, jan./jul. 2007.

THOMPSON, Edward P. A miséria da teoria ou um planetário de erros. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.

VICENTINO, Cláudio. VICENTINO, José Bruno. Projeto Mosaico História: 7 ano. 1 ed. São Paulo: Scipione, 2015.

Downloads

Publicado

2026-03-09

Edição

Seção

Diálogos teóricos e metodológicos no campo da História das Mulheres e dos Estudos de Gênero: movimentando pesquisa e ensino

Como Citar

Invisibilidades de gênero: a representação das mulheres no livro didático de história. (2026). Caderno Espaço Feminino, 38(2), 60-81. https://doi.org/10.14393/