10/04/2026

CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO

 

A revista Heterotópica divulga chamada de trabalhos para o v. 8, n. 2, referente a jul.-dez. 2026.

Convidamos autores/as a contribuírem com trabalhos inéditos para a edição temática – coordenada pelos pesquisadores Rogério Modesto (UNILAB), André Cavalcante (UESC) e pela pesquisadora Laís Virginia Alves Medeiros (UESB) – Discursos e disputas pela língua nos movimentos do social, cuja proposta completa deve ser acessada em “saiba mais”, ao final desta notícia.

Os textos podem ser submetidos para as seções de artigoensaio e resenha.

Heterotópica recebe textos nas línguas portuguesa, inglesa, francesa e espanhola, que devem ser formatados de acordo com a folha de estilos disponível neste link

 

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Textos com identificação de autoria e fora das normas da revista serão automaticamente recusados.

 

Prazo para o envio de trabalhos: 30 de junho de 2026.

Publicação: previsão para novembro/dezembro de 2026.

Discursos e disputas pela língua nos movimentos do social

 

ORGANIZADORES

Rogério Modesto (UNILAB)

André Cavalcante (UESC)

Laís Virginia Alves Medeiros (UESB)

 

A língua constitui um espaço privilegiado de produção de sentidos, de tomada de posição e de disputa ideológica. Como tal, ela não escapa ao representável (Gadet; Pêcheux, 2010):  torna-se também objeto de enfrentamento e debate, não apenas no domínio de saberes especializados, produzidos por gramáticos, linguistas e outros estudiosos, como também no espaço público, sendo constantemente reivindicada, tematizada e reconfigurada, especialmente em condições de produção de polêmica e conflito social.

Pensando nisso, este número temático da Revista Heterotópica tem como objetivo reunir trabalhos que investiguem as disputas discursivas em torno da língua em distintos espaços sociais, considerando tanto as formas de intervenção direta sobre os usos linguísticos quanto os processos de produção de sentidos que configuram determinadas posições sobre o que a língua é, deve ser ou pode vir a ser e significar. São aceitos artigos de diferentes perspectivas teóricas de estudos discursivos, que discutam a relação entre linguagem, sociedade, ideologia e poder. Interessa-nos, particularmente, refletir sobre situações em que a língua se torna objeto de controvérsia pública, política ou institucional, constituindo-se como lugar de enfrentamento entre diferentes projetos de sociedade e, consequentemente, posições-sujeito.

Nesse horizonte, interessam a este número temático trabalhos que analisem discursivamente, entre outros aspectos:

 

  • Os discursos produzidos por movimentos sociais, coletivos militantes e organizações da sociedade civil que tomam a língua como objeto de intervenção e disputa simbólica;
  • Os discursos em torno de propostas como “linguagem antirracista”, “linguagem anticapacitista”, “linguagem simples”, “linguagem cidadã” e “linguagem inclusiva ou neutra em relação a gênero”;
  • Os discursos que materializam os processos de problematização e as formas de nomeação historicamente marcadas por desigualdades raciais, de gênero ou de classe;
  • Os discursos institucionais dos Aparelhos Ideológicos do Estado (Althusser, 1986), como o poder judiciário, instâncias legislativas ou políticas públicas educacionais, que produzem intervenções sobre os usos da língua, seja por meio de políticas linguísticas ou outros processos de regulação, normatização ou judicialização do dizer;
  • Os discursos que se constituem em torno do reconhecimento e da valorização de línguas e modalidades linguísticas no espaço público, como nos debates sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras), as línguas indígenas ou outras práticas linguísticas historicamente marginalizadas;
  • Os deslocamentos discursivos que tensionam evidências historicamente estabilizadas sobre a língua, colocando em questão saberes linguísticos instituídos, discursos normativos e formas tradicionais de autoridade sobre o dizer;
  • Os discursos que materializam o “ordinário do sentido” (Pêcheux, 2015) em relação à língua e que colocam em tela formas de dizer a língua em relação ao cotidiano e ao eventual.

Com esse conjunto de questões, o número temático busca contribuir para a compreensão de como diferentes movimentos do social produzem e disputam sentidos sobre a língua, trazendo à tona seu papel como espaço privilegiado de confrontação ideológica e de produção de posições-sujeito no interior da vida social.

 

Referências

ALTHUSSER, Louis. Aparelhos ideológicos de Estado: nota sobre os aparelhos ideológicos de Estado. Rio de Janeiro: Graal, 1986.

GADET, Françoise; PÊCHEUX, Michel. A língua inatingível: o discurso na história da linguística. Campinas, SP: Editora RG, 2010.

PÊCHEUX, M. O discurso: estrutura ou acontecimento. Campinas: Pontes, 2015.