A genealogia de Michel Foucault e a história como diagnóstico do presente: elementos para a História da Educação

Conteúdo do artigo principal

Haroldo Resende
https://orcid.org/0000-0001-9379-111X

Resumo

Michel Foucault afirma que seus livros não são tratados de filosofia nem estudos históricos; mas que são, no máximo, fragmentos filosóficos em canteiros históricos, o que torna possível dizer que suas pesquisas se situam entre a reflexão filosófica e a prática historiográfica, sendo que o que está na perspectiva de sua história é o próprio presente. Trata-se de interrogar a irrupção dos acontecimentos que produziram nossa atualidade e investigar historicamente como e porque nos tornamos o que somos. Na abordagem da história pela genealogia, a análise foucaultiana recai sobre o saber em termos de estratégia e táticas de poder, o que implica situar o saber no embate das lutas e a verdade no jogo da disputa. O propósito aqui é remeter a discussão da história genealógica para o campo da educação, entendendo que ferramentas genealógicas podem fornecer elementos para a suspeição e o questionamento acerca não só da constituição da educação, mas também da própria noção de história, permitindo compreender a construção discursiva das memórias educacionais como efeitos de vontades de verdade.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Detalhes do artigo

Como Citar
Resende, H. . (2020). A genealogia de Michel Foucault e a história como diagnóstico do presente: elementos para a História da Educação. Cadernos De História Da Educação, 19(2), 335–344. https://doi.org/10.14393/che-v19n2-2020-4
Seção
Dossiê: Foucault, a genealogia, a história da educação
Biografia do Autor

Referências

ALBUQUERQUE JR., Durval Muniz de. “Um leque que respira: a questão do objeto em história”. In: PORTOCARRERO, Vera & BRANCO, Guilherme Castelo. Retratos de Foucault. Rio de Janeiro: Nau, 2000.

FOUCAULT, Michel. “Nietzsche, a genealogia e a história”. In: FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Tradução: Roberto Machado. 10ª ed. Rio de Janeiro: Graal, 1992, p. 15-37.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Tradução: Lígia M. P. Vassalo. 9ª ed. Petrópolis: Vozes, 1991.

FOUCAULT, Michel. “O sujeito e o poder”. In.: RABINOW, Paul e DREYFUS, Hubert. Michel Foucault: uma trajetória filosófica – para além do estruturalismo e da hermenêutica. Tradução: Vera Porto Carrero / Introdução traduzida por Antônio Carlos Maia. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995.

FOUCAULT, Michel. O que é a crítica? seguido de A cultura de si. Tradução: Pedro Elói Duarte. Lisboa: Edições Texto & Grafia, 2017.

MACHADO, Roberto. Ciência e saber. A trajetória da arqueologia de Foucault. Rio de Janeiro: Graal, 1982.

MUCHAIL, Salma Tannus. “A trajetória de Michel Foucault”. In. MUCHAIL, Salma Tannus. Foucault, simplesmente. São Paulo: Loyola, 2004. p. 9-20.

PESSOA, Fernando. Livro do desassossego. Porto: Assírio & Alvim, 2014.

RAGO, Margareth. “Libertar a história”. In: RAGO, Margareth; ORLANDI, LUIZ Lacerda & VEIGA-NETO, Alfredo. Imagens de Foucault e Deleuze: ressonâncias nietzschianas. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

VEIGA-NETO, Alfredo. “Os três Foucault? ou a sempre difícil sistematização”. In.: VEIGA-NETO, Alfredo. Foucault e a educação. Belo horizonte: Autêntica, 2004. p. 41-49.