Os processos de asebeia contra mulheres estrangeiras na Atenas do século IV a.C.

Autores

  • Lennyse Teixeira Bandeira

DOI:

https://doi.org/10.14393/b8fjbb26

Resumo

O artigo analisa os processos por impiedade (asebeia) movidos contra as mulheres estrangeiras Nino, Frinéia e Teóris na Atenas do século IV a.C. Ao contestar uma visão tradicional que restringe a atuação feminina à esfera doméstica, o artigo evidencia que mulheres estrangeiras circulavam em espaços públicos e dominavam saberes técnicos na interseção entre medicina, magia e religião. Argumenta-se que a visibilidade de tais práticas, intensificada pelas transformações sociais e religiosas no período clássico, favoreceu a criminalização das atividades desenvolvidas por essas mulheres. As acusações articulavam elementos como ritos privados entre homens e mulheres, introdução de divindades estrangeiras e o uso de phármaka, cuja ambivalência entre cura e veneno reforçava associações à transgressão. A investigação demonstra que os julgamentos funcionaram como mecanismos de controle, nos quais práticas femininas foram reinterpretadas como ameaças à ordem da pólis.

PALAVRAS-CHAVE: Asebeia; Mulheres estrangeiras; Magia; Religião; Atenas Clássica.

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Publicado

13-07-2026

Edição

Seção

Dossiê - Quando a mulher era Deus: o sagrado e o feminino na Antiguidade

Como Citar

Os processos de asebeia contra mulheres estrangeiras na Atenas do século IV a.C. (2026). Cadernos De Pesquisa Do CDHIS, 39(1), 273-302. https://doi.org/10.14393/b8fjbb26