Cadernos de Pesquisa do CDHIS https://seer.ufu.br/index.php/cdhis <p>A Revista Cadernos de Pesquisa do CDHIS se constituiu em 1989 como um Boletim Informativo (com 3 páginas) e, desde 2000, como um Caderno de Pesquisa do Programa da Pós-Graduação em História da UFU. O objetivo do periódico é veicular resultados parciais de investigações na área das ciências humanas, além de experiências em preservação e restauro do patrimônio cultural, arquivo de documentos, uso de fontes orais, História Local, incorporando os trabalhos de alunos (as) do Mestrado em História /UFU, de integrantes do CDHIS e de outros (as) pesquisadores (as) nacionais e internacionais.</p> Universidade Federal de Uberlândia pt-BR Cadernos de Pesquisa do CDHIS 1981-3090 Direitos Autorais para artigos publicados nesta revista são do autor, com direitos de primeira publicação para a revista. Em virtude da aparecerem nesta revista de acesso público, os artigos são de uso gratuito, com atribuições próprias, em aplicações educacionais e não-comerciais. Revista Cadernos de Pesquisa do CDHIS https://seer.ufu.br/index.php/cdhis/article/view/69881 Copyright (c) 2023 Cadernos de Pesquisa do CDHIS 2023-07-02 2023-07-02 36 1 1 432 Whitewash Jones e o lugar do negro na Timely Comics durante o esforço de guerra https://seer.ufu.br/index.php/cdhis/article/view/69232 <p>O presente trabalho busca discutir a construção de um personagem negro de histórias em quadrinhos durante o período da Segunda Guerra Mundial. Trata-se de Whitewash Jones, personagem da revista em quadrinhos <em>Young Allies</em>, da Timely Comics. Debateremos a função política cumprida pelos quadrinhos durante o conflito, entendendo Young Allies como parte da guinada destas revistas em direção à mobilização da população para se somar ao esforço de guerra. Whitewash Jones aparece como um personagem dedicado a compor um grupo multiétnico de parceiros-mirins do <em>Captain America</em>, que visa a posicionar os Estados Unidos como uma terra de harmonia racial e democracia. O modo como Whitewash Jones é representado, contudo, reforça muitos dos estereótipos negativos relacionados à população negra americana, o que, acreditamos, revela o lugar que estes editores e artistas imaginavam ser natural aos negros do país.</p> Arthur Gibson Pereira Pinto Copyright (c) 2023 Cadernos de Pesquisa do CDHIS 2023-07-02 2023-07-02 36 1 19 44 10.14393/cdhis.v36n1.2023.69232 Muito mais do que os heróis tradicionais https://seer.ufu.br/index.php/cdhis/article/view/69755 <p>O presente artigo consiste em um recorte da pesquisa de doutoramento, em andamento, na Universidade de São Paulo, e que analisa a transmissão do trauma da Segunda Guerra Mundial na segunda geração de sobreviventes, a partir das histórias em quadrinhos. De forma mais ampla, busca-se compreender como o conflito foi representado nas HQs, no decorrer do século XX. No entanto, dentro dessa pesquisa volta-se para dois gêneros presentes entre 1939 e 1945, conhecidos como “super-heróis e “funny animals”. O artigo relaciona o sucesso das histórias em quadrinhos com a retomada econômica dos Estados Unidos, na segunda metade da década de 1930, apresenta alguns dos principais títulos publicados no período e procura identificar elementos comuns, presentes nos dois gêneros, a partir de uma análise específica da revista Comedy Comics.</p> Victor Callari Copyright (c) 2023 Cadernos de Pesquisa do CDHIS 2023-07-02 2023-07-02 36 1 45 70 10.14393/cdhis.v36n1.2023.69755 A Segunda Guerra Mundial e o ataque de Pearl Harbor nas Histórias em Quadrinhos https://seer.ufu.br/index.php/cdhis/article/view/69276 <p><strong>Resumo: </strong>Na década de 1940, os Estados Unidos da América ainda não haviam se posicionado (oficialmente) em face a uma possível intervenção bélica na Segunda Guerra Mundial, porém, as capas de muitas histórias em quadrinhos da época, assim como seu conteúdo, já traziam personagens nacionalistas enfrentando as forças do Eixo, manifestando um posicionamento diante da ocorrência da guerra. Essa manifestação é intensificada após o evento de Pearl Harbor (ocorrido em dezembro de 1941), ecoando, ainda que de maneira alegórica, o imaginário estadunidense que clamava por uma reação de sua nação. O presente artigo tem por objetivo analisar os aspectos do intervencionismo nacional estadunidense em algumas capas de histórias em quadrinhos estadunidense publicadas logo após ao evento de Pearl Harbor em comparação aos mangás japoneses do período e sua relação com o nacionalismo exacerbado nipônico. Como conclusão, a partir de Benedict Anderson (2008), Jacques Ranciere (2014) e Richard Hofstadter (2008) inferimos que as estruturas do nacionalismo e patriotismo que organiza essas publicações estão presentes em ambos os países, que mesmo em lados opostos da guerra e com objetivos e ideologias distintos, acabam recorrendo a recursos militaristas e ufanistas para aglutinar pessoas em uma causa de guerra.</p> Artur Rodrigo Itaqui Lopes Filho Felipe Radünz Krüger Mario Marcello Neto Copyright (c) 2023 Cadernos de Pesquisa do CDHIS 2023-07-02 2023-07-02 36 1 71 102 10.14393/cdhis.v36n1.2023.69276 Reimaginando heróis do passado https://seer.ufu.br/index.php/cdhis/article/view/69426 <p>Este artigo apresenta uma análise da série de quadrinhos <em>Battle Hymn,</em> da Image Comics, que utiliza arquétipos de super-heróis dos anos 1940, como Namor, Capitão América e Tocha Humana, para explorar temas como o nacionalismo e a própria atmosfera histórica da Segunda Guerra Mundial. Por meio da reconfiguração desses arquétipos desconstruídos e reinventados ao longo da trama, a série propõe a criação de representações que se relacionam com uma temporalidade passada. Discute-se como a narrativa permite trazer à tona uma atmosfera histórica e simbólica de um período marcado por conflitos ideológicos por meio de novos personagens, além de abordar questões sociais e políticas diretamente ligadas ao período em que a série foi lançada. Através dessa perspectiva, o artigo busca contribuir para examinar aspectos históricos dos quadrinhos que dialogam com imaginários políticos e compreender sua influência na construção e desconstrução de símbolos na sociedade estadunidense.</p> Marcio dos Santos Rodrigues Copyright (c) 2023 Cadernos de Pesquisa do CDHIS 2023-07-02 2023-07-02 36 1 103 139 10.14393/cdhis.v36n1.2023.69426 O segredo dos castelos dos patos nos quadrinhos Disney https://seer.ufu.br/index.php/cdhis/article/view/68300 <p>Este artigo analisa, contrapõe e problematiza três características que influenciaram o design da Família Pato das HQs Disney: a iconografia zoomórfica, o caráter atemporal das narrativas e a ancestralidade medieval. A reflexão parte de uma crítica aos comentários de Ariel Dorfman e Armand Mattelart, em “Para ler o Pato Donald”, a respeito da maneira por meio da qual esses personagens lidam com a passagem do tempo. Seguiremos afirmando que o Tio Patinhas e o Pato Donald, desenhados por Carl Barks, eram figuras fundamentalmente contemporâneas, ou seja, expressavam anseios e questionamentos de seu criador em relação à sua própria época. O objetivo é averiguar, primeiro, de que modo a iconografia zoomórfica participava ou potencializava o caráter crítico desses personagens para, em seguida, tentar compreender em que medida a inserção de uma ascendência feudal europeia os modifica. Essa transformação será analisada sob uma perspectiva iconológica que interliga a semântica visual de animais humanizados e os sentidos simbólicos da imagem do castelo para a Disney.&nbsp;</p> Lucas Almeida Marcus Vinicius de Paula Copyright (c) 2023 Cadernos de Pesquisa do CDHIS 2023-07-02 2023-07-02 36 1 140 181 Para Além de Wertham https://seer.ufu.br/index.php/cdhis/article/view/69774 <p>Este artigo é parte dos resultados obtidos em minha dissertação de mestrado, “O Furor dos Quadrinhos nos EUA do Pós-Guerra, 1940-1954: <em>EC Comics</em> e crítica social”. Defendo no artigo que a importância atribuída à figura controversa do psiquiatra Fredric Wertham, conhecido por associar revistas em quadrinhos à delinquência juvenil, no processo que levou à implementação do código dos quadrinhos é superdimensionada. Argumento que as campanhas antiquadrinhos que levaram ao código foram o resultado de conjunturas históricas específicas e de três fatores principais: (I) o clima doméstico dos EUA gerado pela Guerra Fria que temia a infiltração de ameaças externas; (II) a eclosão de problemas sociais gerados durante a Segunda Guerra Mundial, mas que eclodiram nos primeiros anos da Guerra Fria; (III) as mudanças e desenvolvimentos da indústria de quadrinhos na década do pós-guerra. Concluo que a figura de Wertham e sua teoria foi instrumentalizada por um processo político maior que buscou legitimar as campanhas antiquadrinhos com um verniz de ciência quando em realidade ela foi levada a cabo por diversos grupos diferentes - políticos, religiosos e associações civis - que se opunham às revistas por razões diversas como moralidade, política e elementos estéticos pautados no debate de alta e baixa cultura.</p> Rodrigo Cardoso Polatto Copyright (c) 2023 Cadernos de Pesquisa do CDHIS 2023-07-02 2023-07-02 36 1 182 211 10.14393/cdhis.v36n1.2023.69774 Capitão América vs. Capitão América https://seer.ufu.br/index.php/cdhis/article/view/69293 <p>Steve Rogers, o Capitão América original, é um personagem patriótico de histórias em quadrinhos criado em 1941 durante a Segunda Guerra Mundial e que ao longo de seus 80 anos de existência tornou-se um símbolo identitário estadunidense. Representando ideias que deveriam inspirar e orientar seus leitores a serem cidadãos melhores. A partir disso, a ideia central deste texto é apresentar e analisar narrativas onde ele teve que enfrentar outras versões de si mesmo nos anos 1970 e 1980. E como esses confrontos foram utilizados para definir – mesmo que temporariamente – valores que são considerados “falsos” e/ou “errados” em contraposição aos valores “verdadeiros” apresentados e incorporados pelo Capitão original.</p> Rodrigo Aparecido Araújo Pedroso Copyright (c) 2023 Cadernos de Pesquisa do CDHIS 2023-07-02 2023-07-02 36 1 212 251 10.14393/cdhis.v36n1.2023.69293 Diálogos entre os quadrinhos de super-heróis e o movimento feminista estadunidense https://seer.ufu.br/index.php/cdhis/article/view/69108 <p>O presente trabalho busca investigar a representação feminina nos quadrinhos norte-americanos de superaventura, em especial, de editoras <em>mainstream, </em>como a <em>Marvel</em> e a <em>DC Comics</em>. Para subsidiar essa pesquisa, lancei mão de estudos a respeito do movimento feminista e seus impactos na sociedade. De modo geral, desde o surgimento dos quadrinhos contemporâneos, têm se debatido sobre aspectos sociais, políticos e culturais no interior deles. Contudo, apenas a partir da década de 60 devido ao crescente interesse acadêmico é que eles passam a ser analisados como manifestação artística, com possibilidades de crítica, manutenção ou ainda subversão dos modelos tradicionalmente fabricados e naturalizados.</p> <p>&nbsp;</p> <p><strong>Palavras-chave:</strong> Feminismo – <em>comics</em> – super-heróis.</p> Bruna Amanda Godinho Rocha Copyright (c) 2023 Cadernos de Pesquisa do CDHIS 2023-07-02 2023-07-02 36 1 252 293 10.14393/cdhis.v36n1.2023.69108 A América está morta https://seer.ufu.br/index.php/cdhis/article/view/69278 <p>Conhecido como juiz, júri e executor, o Juiz Dredd é um dos mais famosos personagens de histórias em quadrinhos do Reino Unido. Publicado pela primeira vez em 1977, ele foi concebido como uma sátira à retórica de Lei e Ordem do Partido Conservador britânico. Contudo, ao longo de suas publicações, o personagem se provou, também, uma sátira aos Estados Unidos. Neste artigo, buscamos analisar o arco América, um conjunto de histórias que sintetizam as críticas ao país americano. Nessa história, John Wagner (2020) buscou satirizar valores normalmente atribuídos aos EUA como terra da liberdade e igualdade, ao mesmo tempo que vemos dois jovens criticando essas concepções enquanto lutam pelo movimento democrático e são esmagados pela totalidade repressora do Sistema Judicial.</p> Lucas Silva de Oliveira Copyright (c) 2023 Cadernos de Pesquisa do CDHIS 2023-07-02 2023-07-02 36 1 294 328 10.14393/cdhis.v36n1.2023.69278 Terror, memória e trauma em À sombra das torres ausentes, de Art Spiegelman https://seer.ufu.br/index.php/cdhis/article/view/69465 <p>O objeto desse artigo é a história em quadrinhos “À sombra das torres ausentes”, de Art Spiegelman. Publicada em forma de livro em 2004, suas 10 pranchas apareceram entre 2002 e 2003, individualmente ou em conjunto, em jornais e revistas dos Estados Unidos e países da Europa. Na primeira parte, é apresentada a obra e sua trajetória no mercado editorial norte-americano, até a edição definitiva. Na sequência, são discutidas algumas das imagens produzidas por Spiegelman a partir da noção de <em>acontecimento sem precedentes</em>, do filósofo francês Jacques Derrida. Finalmente, na terceira e última parte, são analisadas duas pranchas com o intuito de pensar como a narrativa de Spiegelman produz relações com o tempo histórico e a memória traumática. Recorrendo aos conceitos de montagem e remontagem, de Georges Didi-Huberman, a intenção é mostrar como as experimentações visuais de Spiegelman criam uma singular anacronia temporal em que o presente é atravessado pelas distintas temporalidades passadas que o habitam.</p> Clóvis Mendes Gruner Copyright (c) 2023 Cadernos de Pesquisa do CDHIS 2023-07-02 2023-07-02 36 1 329 355 10.14393/cdhis.v36n1.2023.69465 Os Fumetti Tex Willer https://seer.ufu.br/index.php/cdhis/article/view/69280 <p>Propõe-se nesse artigo reflexões a partir de pesquisas realizadas nas áreas de História e Performances Culturais. A fonte de pesquisa são as Histórias em Quadrinhos (HQs) do personagem italiano Tex Willer, atualmente produzidas pela Sergio Bonelli Editore (SBE), uma criação de Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini, as quais seguem sendo publicadas desde 1948. Refletimos acerca de um produto de mercado híbrido (CANCLINI, 1999) e transnacional, fruto de culturas convergentes (JENKINS, 2009), que dialogam entre si e produzem tanto faroestes clássicos no cinema hollywoodiano, quanto <em>spaghetti westerns</em> numa ideia de região (BOURDIEU, 2010) aqui explicitada por <em>wilderness</em>. A partir da relação entre os <em>fumetti</em> (quadrinhos italianos) TEX e o cinema, analisou-se as performances dos leitores/fãs brasileiros da revista e suas devolutivas, sejam elas em formato de cartas, de <em>posts</em> (em grupos de <em>Facebook</em> e <em>Instagram</em>), tatuagens, cordéis, objetos pessoais ou mesmo produção de <em>cosplays</em> dos personagens principais das <em>fumetti </em>mais publicadas e mais longevas do gênero faroeste.</p> Emerson César de Campos Aline Ferreira Antunes Copyright (c) 2023 Cadernos de Pesquisa do CDHIS 2023-07-02 2023-07-02 36 1 356 390 10.14393/cdhis.v36n1.2023.69280 Davy Crockett, apropriação histórica americana e sua interpretação pelos estúdios Disney https://seer.ufu.br/index.php/cdhis/article/view/69274 <p>Este artigo propõe uma análise da apropriação histórica e interpretação de Davy Crockett pelos estúdios Disney, incluindo a minissérie e a representação do personagem em histórias em quadrinhos. Davy Crockett, o renomado "rei da fronteira selvagem", foi introduzido como um proeminente personagem de ação real por Walt Disney na década de 1950. Fundamentado na história dos Estados Unidos, este estudo compreende a lógica histórica e cultural por trás da produção da Disney e explora a intricada relação histórico-artística na criação da minissérie de Davy Crockett e na presença do personagem nas histórias em quadrinhos. Por meio da análise de fontes bibliográficas e documentais, essa pesquisa adentra as complexas dinâmicas que moldam narrativas históricas dentro da cultura popular e indústria cinematográfica. Essa análise oferece perspectivas sobre a complexa relação entre história e mídia na formação da memória coletiva e identidade cultural.</p> Celbi Pegoraro Copyright (c) 2023 Cadernos de Pesquisa do CDHIS 2023-07-02 2023-07-02 36 1 391 416 10.14393/cdhis.v36n1.2023.69274 Apresentação - Dossiê Quadrinhos e EUA https://seer.ufu.br/index.php/cdhis/article/view/69793 Marcio dos Santos Rodrigues Rodrigo Aparecido Araújo Pedroso Copyright (c) 2023 Cadernos de Pesquisa do CDHIS 2023-07-02 2023-07-02 36 1 3 18 10.14393/cdhis.v36n1.2023.69793 Editorial CDHIS https://seer.ufu.br/index.php/cdhis/article/view/69880 Thiago Lenine Tito Tolentino Copyright (c) 2023 Cadernos de Pesquisa do CDHIS 2023-07-02 2023-07-02 36 1 1 2 10.14393/cdhis.v36n1.2023.69880 MOREAU, Diego; MACHADO, Laluña Gusmão. História dos Quadrinhos: EUA. São José: Skript, 2020 https://seer.ufu.br/index.php/cdhis/article/view/69187 <p>A resenha em questão faz uma avaliação criteriosa do livro "História dos Quadrinhos: EUA", de Diego Moreau e Laluña Machado, publicado pela Skript Editora em 2021. O texto destaca uma série de equívocos editoriais e problemas teórico-metodológicos presentes na obra. Além da falta de rigor e reflexão crítica na livro, vê-se uma ausência de teorizações e referências bibliográficas no corpo do texto, o que compromete a fundamentação das informações apresentadas. A resenha sublinha ainda a importância de uma abordagem mais rigorosa e reflexiva sobre o tema dos quadrinhos nos Estados Unidos, de uma forma totalmente desprovida de visões preconcebidas ou superficialidades, o que não foi atingido pela obra em questão.&nbsp;</p> Marcio dos Santos Rodrigues Copyright (c) 2023 Cadernos de Pesquisa do CDHIS 2023-07-02 2023-07-02 36 1 417 432 10.14393/cdhis.v36n1.2023.69187