Para afastar Lamashtu
encantamentos, magia e religião na Antiga Mesopotâmia
DOI:
https://doi.org/10.14393/3xs7pd84Resumo
O presente artigo analisa as representações do feminino no universo mágico-religioso da antiga Mesopotâmia a partir das figuras de Lamashtu e Gula. Enquanto Lamashtu é uma figura associada ao caos, à doença e à morte, especialmente de recém-nascidos, a deusa Gula ocupava a posição central como divindade da cura e da ordem. A partir da análise de fontes textuais — com destaque para a literatura acadiana — e da cultura material, com a análise placas e iconografia encontrada na Mesopotâmia, o estudo busca compreender como essas entidades expressam a ambivalência do feminino no sagrado, com ênfase nas práticas de encantamento e proteção. Argumenta-se que tais figuras refletem ansiedades sociais relacionadas à maternidade, à doença e à vulnerabilidade da vida, ao mesmo tempo em que evidenciam a presença e protagonismo do feminino nos sistemas religiosos da Antiga Mesopotâmia.
PALAVRAS-CHAVE: feminino; Mesopotâmia; magia; religião; cura