Os processos de asebeia contra mulheres estrangeiras na Atenas do século IV a.C.
DOI:
https://doi.org/10.14393/b8fjbb26Resumo
O artigo analisa os processos por impiedade (asebeia) movidos contra as mulheres estrangeiras Nino, Frinéia e Teóris na Atenas do século IV a.C. Ao contestar uma visão tradicional que restringe a atuação feminina à esfera doméstica, o artigo evidencia que mulheres estrangeiras circulavam em espaços públicos e dominavam saberes técnicos na interseção entre medicina, magia e religião. Argumenta-se que a visibilidade de tais práticas, intensificada pelas transformações sociais e religiosas no período clássico, favoreceu a criminalização das atividades desenvolvidas por essas mulheres. As acusações articulavam elementos como ritos privados entre homens e mulheres, introdução de divindades estrangeiras e o uso de phármaka, cuja ambivalência entre cura e veneno reforçava associações à transgressão. A investigação demonstra que os julgamentos funcionaram como mecanismos de controle, nos quais práticas femininas foram reinterpretadas como ameaças à ordem da pólis.
PALAVRAS-CHAVE: Asebeia; Mulheres estrangeiras; Magia; Religião; Atenas Clássica.