A Representação do Feminino na Hagiografia Bizantina

A Vida de Marina/Marino

Autores

  • Ricardo Russo Carvalho Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
  • Dr. Wendell dos Reis Veloso Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

DOI:

https://doi.org/10.14393/787p3790

Resumo

Este artigo analisa a representação e a relação entre as personagens femininas na hagiografia Vida de Marina/Marino, uma obra inserida no contexto monástico bizantino, datada do século VI. Além de buscarmos compreender a inteligibilidade de gênero proposta no documento, o estudo objetiva demonstrar que a obra funciona como um projeto eclesiástico prescritivo de domesticação da agência feminina. Metodologicamente, realiza-se uma análise discursiva da fonte, fundamentada nos conceitos de Viriarcado de Olívia Gazalé (2017), Poder Pastoral de Michel Foucault (2014) e no modelo de Corpo Único de Thomas Laqueur (2001). O estudo aponta que a narrativa demanda a obliteração da identidade feminina da protagonista, descrita como ontologicamente frágil e propensa ao mal. A santidade de Marina é chancelada exclusivamente pela adoção performática de virtudes viris, como o ascetismo e o silêncio. Na narrativa, esse silêncio não representa a mudez passiva e subordinada tradicionalmente imposta às mulheres no mundo romano, mas sim um ‘silêncio viril’: um exercício ativo de autodomínio, exigindo que a santa governe a si mesma para superar a suposta inconstância de seu gênero.

Biografia do Autor

  • Ricardo Russo Carvalho, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

    Graduando em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), bolsista de Iniciação Científica (PIBIC/UERJ) sob orientação do Prof. Dr. Wendell dos Reis Veloso (UERJ).

  • Dr. Wendell dos Reis Veloso, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

    Professor Adjunto da área de História Antiga e Medieval da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ; é Doutor (2019) e Mestre (2014) em História pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PPHR/UFRRJ) com bolsa CAPES-DS, graduado em licenciatura (2009) e bacharelado (2011) em História pela Universidade Gama Filho. Possui estágio de Pós-Doutorado pelo PROFHistória da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (2023-2024). É membro da Hagiography Society e da ABREM (Associação Brasileira de Estudos Medievais). Também é pesquisador dos seguintes grupos de pesquisa cadastrados no CNPq: PEM - Programa de Estudos Medievais da UERJ (do qual é um dos líderes) e da UFRJ; do LabQueer - Laboratório de Estudos das Relações de Gênero, Masculinidades e Transgêneros/UFRRJ; do Agios - Grupo de Estudos sobre Hagiografia e Santidade/UFF e do Repertorium: Laboratório de Estudos Medievais (UFES).

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Publicado

13-07-2026

Edição

Seção

Dossiê - Quando a mulher era Deus: o sagrado e o feminino na Antiguidade

Como Citar

A Representação do Feminino na Hagiografia Bizantina: A Vida de Marina/Marino. (2026). Cadernos De Pesquisa Do CDHIS, 39(1), 494-526. https://doi.org/10.14393/787p3790