A Deusa Asherah nas linhas e entrelinhas da Bíblia Hebraica
uma análise da política de memória em perspectiva de gênero na narrativa bíblica
DOI:
https://doi.org/10.14393/bd65md07Resumo
Considerando a vasta evidência arqueológica acerca da crença e do culto à Deusa Asherah, o presente artigo objetiva discutir a política de memória em perspectiva de gênero empregada na narrativa bíblica quando se trata da Deusa, sejam as menções pejorativas, não nomeadas e até mesmo a própria masculinização do símbolo da Deusa. Tal discussão é realizada a partir dos pressupostos teóricos de Paul Ricoeur sobre política de memória e de Elisabeth Schüssler Fiorenza acerca da hermenêutica da suspeita e da relembrança. Conclui-se que há uma política de memória de gênero utilizada pelos redatores bíblicos, a qual apaga a memória da Deusa Asherah e a desassocia de YHWH, bem como elabora-se uma nova política de memória: Asherah era uma divindade cultuada em Israel e Judá, inclusive ao lado de YHWH, como casal divino, em Jerusalém.