A produção de sentido na mídia jornalística internacional
a cobertura dos discursos dos presidentes brasileiros na ONU
DOI:
https://doi.org/10.14393/HTP-v7n2-2025-79451Palavras-chave:
Discurso, Governamentalidade, ONU, Presidentes brasileirosResumo
Nesta discussão, objetiva-se analisar os discursos trabalhados pela mídia jornalística internacional em função da fala de presidentes brasileiros em edições da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Empreende-se uma leitura linguístico-discursiva das manchetes dos jornais The New York Times e The Guardian considerando a cobertura que esses veículos fazem dos discursos endereçados pelos ex-presidentes Lula, Dilma e Bolsonaro nos debates das Assembleias Gerais da entidade que aconteceram no interstício de seus respectivos mandatos presidenciais, os quais iniciaram, respectivamente, em 2003, 2011 e 2019. Essa discussão aborda o modo como as manchetes dos respectivos jornais alinham a dimensão histórica do dizer e movimentam vontades de verdade atreladas ao biopoder e à governamentalidade na medida em que inscrevem o acontecimento no espaço da visibilidade pública. Fundamentada no método arqueogenealógico, a presente discussão tem ancoragem teórica e metodológica nos estudos de Michel Foucault (2005a, 2005b, 2006a, 2006b, 2007, 2008a, 2008b) e considera as contribuições de autores que se debruçam sobre a mídia e a política. Os resultados apontam que o discurso endereçado na ONU adquire um revestimento social, o qual mantem-se constitutivamente atrelado a práticas discursivas de afirmação que dizem a política e o governo como máximas da representação coletiva e da atenção à vida da população.
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