Linguagem não binária como política de nomeação
a letra X a partir da série “Todxs Nós” (2020)
DOI:
https://doi.org/10.14393/HTP-v7n2-2025-79447Palavras-chave:
Análise Dialógica do Discurso, Bakhtin, Linguagem não-binária, Teorias queerResumo
O presente trabalho tem como objetivo retomar e abranger os estudos acerca das relações de gênero e linguagem não binária feitos na disciplina Tópicos em Sociolinguística, em 2023, do programa de Pós-Graduação em Linguística e Língua Portuguesa da Universidade Estadual Paulista (UNESP), bem como propor novas considerações pensando a linguagem não binária enquanto parte de uma “política de nomeação” (Halberstam, 2023), refletindo sobre o que pode haver por detrás de um nome e, principalmente, o que reivindicações por novos nomes e categorizações podem significar; pensar novas categorias de identidade para além de possíveis fragmentações e polarizações identitárias. Parte-se, para isso, de análises da série “Todxs Nós”, de 2020, retomando discussões feitas pelo autor deste artigo (2023a, 2023b), em diálogo com outros materiais. Assim, adota-se, teórico-metodologicamente, a perspectiva bakhtiniana (Bakhtin, 2010; 2011; 2017; Medviédev, 2012), a partir também de seus comentadores contemporâneos (Bezerra, 2017; Faraco, 2009; Ponzio, 2010; Sobral, 2019). Os resultados, portanto, dizem respeito às análises da série em questão, analisando possíveis sentidos produzidos a partir da letra X e a presença desta na vida.
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