Turismo brasileiro

redes de poder e dispositivo da sexualidade em campanha publicitária

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/HTP-v2n2-2020-55096

Palavras-chave:

Redes de poder, Dispositivo da sexualidade, Campanha publicitária

Resumo

Análise de dois enunciados – do Estado de Alagoas e do Maranhão, que integram uma campanha publicitária, fomentada por órgãos governamentais brasileiros, em resposta a um pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, que incitou discursos sobre o “turismo sexual” no Brasil. Discute-se a ação do dispositivo da sexualidade, o poder como uma multiplicidade de correlações e os sistemas de dispersões, com foco na apropriação da imagem do corpo da mulher brasileira (FOUCAULT, 2009a; 2009b). Observa-se um campo de saber-poder com complexas ambiguidades, principalmente no que diz respeito ao que é lícito e o que é ilícito; lacunas, silêncios e silenciamentos, invisibilidades, possíveis negações, tabus e preconceitos.

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Biografia do Autor

Renata Kelen da Rocha, Universidade Estadual de Maringá - UEM

Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Estadual de Maringá (UEM/CAPES).

Pedro Navarro, Universidade Estadual de Maringá - UEM

Leciona no curso de Graduação e no programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Estadual de Maringá. Doutorou-se em Lingüística e Língua Portuguesa pela UNESP de Araraquara, SP. Nessa mesma instituição atua como pesquisador do GEADA – Grupo de Estudos em Análise do Discurso de Araraquara, no qual desenvolve trabalhos que analisam a relação entre discurso, história e memória. Desde 1992, vem realizando pesquisas voltadas à produção de discursos determinados por sentidos advindos de lugares institucionais constituídos pelo pedagógico, pelo religioso e pelo midiático. Adota como dispositivo teórico-metodológico as noções e os conceitos erigidos pela Análise do Discurso francesa, a partir de uma perspectiva que considera o diálogo entre esse campo, a Filosofia e a História, representados, respectivamente, por Michel Pêcheux, Michel Foucault e Michel de Certeau. Sua contribuição no GEDUEM toma como objeto de investigação textos verbais e imagéticos que circulam na mídia brasileira, com a finalidade de analisar as práticas discursivas de produção de identidade do feminino e do masculino e os dispositivos de produção de subjetividades que incidem sobre esses sujeitos.

Marisa Corrêa Silva, Universidade Estadual de Maringá - UEM

Fez graduação em Letras pela Universidade Estadual de Campinas, mestrado em Comunicação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (orientada por Nelyse A. M. Salzedas) e doutorado em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (orientada por Suely F. V. Flory e co-orientada por Carlos Reis durante semestre em Coimbra). Tem pós-doutorado na Rutgers - the State University of New Jersey (com Phillip Rothwell, atualmente em Oxford). Hoje é professora associada no Departamento de Teorias Línguísticas e Literárias (DTL) da Universidade Estadual de Maringá. Sua experiência na área de Letras inclui as Literaturas brasileira e portuguesa, atuando principalmente nos seguintes temas: Helder Macedo, narrativa contemporânea, teoria do romance, personagem feminina. Também tem publicações contemplando Teoria Literária, poesia e leituras intersemióticas. É pioneira no Brasil na aplicação sistemática do materialismo lacaniano de Slavoj Zizek e de Alain Badiou na análise literária, bem como no desenvolvimento de metodologia para efetuar tal aplicação, publicando sobre o tema desde 2009. Atualmente, é vice-presidente da ANPOLL (gestão 2018-2020).

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Publicado

2020-12-29

Como Citar

ROCHA, R. K. da; NAVARRO, P.; CORRÊA SILVA, M. Turismo brasileiro: redes de poder e dispositivo da sexualidade em campanha publicitária. Revista Heterotópica, [S. l.], v. 2, n. 2, p. 267–284, 2020. DOI: 10.14393/HTP-v2n2-2020-55096. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/RevistaHeterotopica/article/view/55096. Acesso em: 19 abr. 2024.