A objetivação do currículo na atividade pedagógica

Conteúdo do artigo principal

Manoel Oriosvaldo de Moura
http://orcid.org/0000-0002-0431-4694

Resumo

Ao analisarmos o que pode ser o resultado do que produzem os currículos, nos vem a dúvida sobre a sua eficácia e somos chamados a desnaturalizar o modo como temos aceitado as suas formulações. Para a nossa atividade como professor, que tem como objeto a formação de professores, que por sua vez terão como objeto a concretização de propostas curriculares, parece-nos necessário buscar respostas às perguntas: qual o conhecimento relevante para essa formação? Qual o resultado esperado daqueles que serão alvo das ações desencadeadas pelas atividades pedagógicas que visam o ensino de conteúdos para concretizar o currículo? Neste artigo, procuramos abordar o currículo a partir do lugar que ocupamos no sistema educacional, na condição de professor de futuros professores. Nosso foco está dirigido sobre a forma de concretização do currículo no espaço escolar, lugar por excelência onde se realiza a trama pedagógica que objetiva o ensino. Defendemos que o desenvolvimento do currículo tenha também uma dimensão formadora daqueles que, na qualidade de sujeitos, participam dessa atividade complexa que de algum modo visa a realização de um projeto social. Nesse sentido, apresentamos um exemplo de realização de uma proposta de desenvolvimento de um currículo dentro de um projeto que tinha por objetivo experienciar, por meio do desenvolvimento de atividades orientadoras de ensino, o processo de significação da atividade pedagógica como modo de sua concretização, a partir da teoria da atividade. O projeto foi desenvolvido em colaboração por quatro grupos de pesquisas de universidades públicas que constituíram núcleos formados por pós-graduandos, alunos de iniciação científica, professores da rede pública de ensino e o coordenador do projeto local, professor da universidade, que viam nessa composição o modo de colocar em movimento a formação de cada participante diante de um problema comum: a construção de uma proposta para o ensino de matemática.


 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Detalhes do artigo

Como Citar
Moura, M. O. de. (2017). A objetivação do currículo na atividade pedagógica . Obutchénie. Revista De Didática E Psicologia Pedagógica, 1(1), 98–128. https://doi.org/10.14393/OBv1n1a2017-5
Seção
DOSSIÊ

Referências

CARAÇA, B. de J. Conceitos fundamentais da matemática. Lisboa: Gradiva, 2002.

DAVIDOV, V. V. La enseñanza escolar y el desarrollo psíquico. Moscú: Editorial Progreso, 1988.

FORMOSINHO, J. O currículo uniforme pronto-a-vestir de tamanho único. Lisboa: Edições Pedago, 2007.

FRANCO, P. L. J. O desenvolvimento de motivos formadores de sentido no contexto da atividade de ensino e estudo na escola pública brasileira. 2015. 358 f. Tese(Doutorado em Educação Escolar) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2015.

GOLDER, M. (Org.). Leontiev e a psicologia histórico-cultural: o homem em seu tempo. São Paulo: Xamã, 2004.

GONÇALVES, M. G. M. O método de pesquisa materialista histórico e dialético. In: ABRANTES, A. A.; SILVA, N. R. da; MARTINS, S. T. F. Método histórico social na psicologia social.Petrópolis: Vozes, 2005. p.86-104.

KOPNIN, P. V. A dialética como lógica e teoria do conhecimento. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.

LEÓN, P.C. de (et al.). Proyecto Curricular Investigación y Renovación Escolar –IRES, Grupo Investigación en la Escuela. Sevilla: Diada Editoras, 1991.

LEONTIEV, A.N. O desenvolvimento do psiquismo. Lisboa: Horizonte Universitário, 197?.

LEONTIEV, A. N. Atividade e consciência. In: MAGALHÃES-VILHENA, V. de (Org.). Práxis: a categoria materialista de prática social. Lisboa: Livros Horizonte, 1980. p.49-77.

LEONTIEV, A.N. Actividad, conciencia e personalidad. Havana: Editorial Pueblo y Educación, 1983.

LEONTIEV, A. N. Uma contribuição à teoria do desenvolvimento da psique infantil. In: VIGOTSKI, L. S. (et al.). Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. SãoPaulo: Ícone, 1988. p.59-84.

MACEDO, R. S. Currículo: campo, conceito e pesquisa. Petrópolis: Vozes, 2013.

MAKARENKO, A. La coletividad y la educación de la personalidade. Moscú: Editorial Progreso, 1977.

MALINOWSKI, B. K. Uma teoria científica da cultura. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1975.

MARX, K. O capital. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006.

MARX, K. e ENGELS, F. A ideologia alemã. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

MORETTI, V. D. e MOURA, M. O. de.Professores de matemática em atividade de ensino: contribuições da perspectiva histórico-cultural para a formação docente. Ciência e Educação. Bauru, v. 17, p.435-450, 2011.

MOURA, M. O. de. A atividade de ensino como unidade formadora. BOLEMA, Rio Claro, v. 12, p.29-43, 1996.

MOURA, M. O. de. A atividade de ensino como ação formadora. In: CASTRO, A.D.; CARVALHO, A. M. P. de (Org.). Ensinar a ensinar –didática para a escola fundamental e média. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001. p.143-162.

MOURA, M. O. de et al. A atividade orientadora de ensino como unidade entre ensino e aprendizagem. In: ______. (Org.). A atividade pedagógica na teoria histórico-cultural.Brasília: Liber Livro, 2010. p.81-109.

ORTEGA Y GASSET, J. Meditação da técnica. Rio de Janeiro: Livro Ibero-Americano, 1963.

SACRISTÁN, J. G. O currículo: uma reflexão sobre a prática. Porto Alegre: Artmed, 1998.

SACRISTÁN, J. G. (Org.). Saberes e incertezas sobre o currículo. Porto Alegre: Penso, 2013.

TADEU DA SILVA, T. O currículo como fetiche.Belo Horizonte: Autêntica, 2005.

VIGOTSKI, L. S. Pensamento e linguagem.São Paulo: Martins Fontes, 2000.

VIGOTSKI, L. S. A formação social da mente.São Paulo: Martins Fontes, 2000.

YOUNG, M. Michael Young e o campo do currículo: da ênfase no "conhecimento dos poderosos" à defesa do "conhecimento poderoso": depoimento [out-dez/2014]. São Paulo: Educação e Pesquisa, v. 40, n. 4. Entrevista concedida a Cláudia Valentina Assumpção Galian e Paula Baptista Jorge Louzano.

ZABALA, A. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1988.