Cegueira e baixa visão em foco

relato de experiências, reflexões e resultados de um workshop de capacitação

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/REE-2026-80468

Palavras-chave:

Cegueira, Baixa visão, Deficiência visual, Educação especial, Inclusão social

Resumo

A baixa visão é definida como a redução significativa da capacidade visual, mesmo após correção ou com a preservação de alguma funcionalidade. A cegueira, por sua vez, é caracterizada por acuidade visual muito reduzida, campo visual extremamente restrito ou ausência total de percepção luminosa. Apesar de sua relevância, ambas as condições ainda apresentam desafios para a inclusão social, inclusive no meio acadêmico. Nessa perspectiva, o evento “I Workshop da UFU: Cuidados e Inclusão de Pessoas Cegas e com Baixa Visão”, realizado nos dias 22 e 23 de maio de 2025, objetivou promover a discussão e o compartilhamento de saberes sobre o tema. Ao todo, participaram 47 pessoas, dentre elas estudantes, profissionais da saúde e indivíduos com baixa visão ou cegueira, tanto nas palestras quanto na condução das atividades. A análise de 25 questionários de avaliação revelou que 36% dos participantes afirmaram conhecer apenas superficialmente as estratégias de cuidado e acolhimento a pessoas com cegueira ou baixa visão, evidenciando a baixa familiaridade de estudantes e profissionais de saúde com as demandas específicas dessa população.  Assim, a experiência revelou-se valiosa para ampliar o conhecimento, estimular o diálogo interdisciplinar, promover a troca de saberes e fomentar práticas mais inclusivas no campo da saúde.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Giovanna Garcia Gardini, Universidade Federal de Uberlândia

    Graduanda em Medicina na Universidade Federal de Uberlândia, Minas Gerais, Brasil.

  • Lorrane Francisco Pereira da Silva, Universidade Federal de Uberlândia

    Graduanda em Medicina na Universidade Federal de Uberlândia, Minas Gerais, Brasil.

  • Flávio Jaime da Rocha, Universidade Federal de Uberlândia

    Doutor em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo, Brasil; pós-doutoral pela Universidade de Harvard, Massachusetts, Estados Unidos da América; professor na Universidade Federal de Uberlândia, Minas Gerais, Brasil.

  • Silvana Terezinha Figueiredo Moya, Universidade Federal de Uberlândia

    Doutora em Oftalmologia pela Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil; médica na Universidade Federal de Uberlândia, Minas Gerais, Brasil.

  • Fábio Tonissi Moroni, Universidade Federal de Uberlândia

    Doutor em Ciêncas Biológicas pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Amazonas, Brasil; professor na Universidade Federal de Uberlândia, Minas Gerais, Brasil.

Referências

BONFIM, C. S.; MÓL, G. S.; PINHEIRO, B. C. S. A (in)visibilidade de pessoas com deficiência visual nas ciências exatas e naturais: percepções e perspectivas. Revista Brasileira de Educação Especial, Bauru, v. 27, p. 589–604, 2021. DOI 10.1590/1980-54702021v27e0220. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbee/a/dsTvqBK8jMhc3rK6xQHWYMS/?format=html&lang=pt. Acesso em: 15 maio 2026.

BRACKEN, R. C. et al. Developing disability‑focused pre‑health and health professions curricula. Journal of Medical Humanities, [S. l.], v. 44, p. 553–576, 2023. DOI 10.1007/s10912-023-09828-8. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10733220/. Acesso em: 15 maio 2026.

BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, DF, 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm. Acesso em: 13 abr. 2026.

BRASIL. Resolução nº 510, de 07 de abril de 2016. Esta Resolução dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais cujos procedimentos metodológicos envolvam a utilização de dados diretamente obtidos com os participantes ou de informações identificáveis ou que possam acarretar riscos maiores do que os existentes na vida cotidiana, na forma definida nesta Resolução. Brasília, DF, 2016. Disponível em: https://www.gov.br/conselho-nacional-de-saude/pt-br/atos-normativos/resolucoes/2016/resolucao-no-510.pdf/view. Acesso em: 15 maio 2026.

CBO. CONSELHO BRASILEIRO DE OFTALMOLOGIA. As condições de saúde ocular no Brasil. São Paulo: CBO, 2023. Disponível em: https://www.cbo.net.br/admin/docs_upload/Condicoesdesaudeocularnobrasil.pdf. Acesso em: 13 ago. 2025.

CHAUDRY, I.; BROWN, G. C.; BROWN, M. M. Medical student and patient perceptions of quality of life associated with vision loss. Canadian Journal of Ophthalmology, Canadá, v. 50, n. 3, p. 217–224, 2015. DOI 10.1016/j.jcjo.2015.02.004. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26040222/. Acesso em: 15 maio 2026.

FISCHBEIN, R. et al. “The Scarlet Letter B”: a qualitative study to improve health care provider education for patients who are blind or low-vision. Disability and Health Journal, [S. l.], v. 18, n. 4, p. e101834, 2025. DOI 10.1016/j.dhjo.2025.101834. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40194903/. Acesso em: 15 maio 2026.

FREITAS JÚNIOR, R. A. O. et al. Inclusão do cuidado com a saúde das pessoas com deficiência nos currículos de medicina do Brasil. Revista Brasileira de Educação Médica, Brasília, v. 45, n. 3, p. e156, 2021. DOI 10.1590/1981-5271v45.3-20210072. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbem/a/6rRtxhWtdvW7hpbps3pk4cG/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 15 maio 2026.

HAVERMAET, J. V. et al. Accessible participation in academic conferences if you are visually impaired. Journal of Disability Studies in Education, [S. l.], v. 3, n. 2, p. 148–165, 2023. DOI 10.1163/25888803-bja10020. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/org/science/article/pii/S2588879X23000194. Acesso em: 15 maio 2026.

JUNIAT, V. et al. Understanding visual impairment and its impact on patients: a simulation-based training in undergraduate medical education. Journal of Medical Education and Curricular Development, [S. l.], v. 6, p. 1–7, 2019. DOI 10.1177/2382120519843854. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31106277/. Acesso em: 15 maio 2026.

MIYAUCHI, H. A systematic review on inclusive education of students with visual impairment. Education Sciences, [S. l.], v. 10, n. 11, p. 1-15, 2020. DOI 10.3390/educsci10110346. Disponível em: https://www.mdpi.com/2227-7102/10/11/346. Acesso em: 15 maio 2026.

NASCIMENTO, M. I.; TORRES, R. C.; RIBEIRO, K. G. F. Tecnologias assistivas para deficiência visual e auditiva ofertadas aos estudantes de medicina no Brasil. Revista Brasileira de Educação Médica, Brasília, v. 46, n. 1, p. e037, 2022. DOI 10.1590/1981-5271v46.1-20210264. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbem/a/9VQWkfrK5NLRyg6vVMHNGPv/abstract/?lang=pt. Acesso em: 15 maio 2026.

ORLANDI, E. P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 8. ed. Campinas: Pontes, 2009.

SANTOS, J. M. et al. I Semana de Ciência e Tecnologia do IBC: integrando ensino, pesquisa e extensão no contexto da deficiência visual. Conexão UEPG, Ponta Grossa, v. 20, p. 1-12, 2024. DOI 10.5212/Rev.Conexao.v.20.23532.037. Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/conexao/pt_BR/article/view/23532. Acesso em: 15 maio 2026.

SANTOS, T. C.; TONEZER, C.; ANJOS, R. C. A inclusão de alunos com deficiência visual: uma análise acerca das publicações em eventos nacionais de ensino de Física. Cadernos de Pós-Graduação, São Paulo, v. 24, n. 1, p. 15–28, 2025. DOI 10.5585/2025.26117. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/393207161_A_inclusao_de_alunos_com_deficiencia_visual_uma_analise_acerca_das_publicacoes_em_eventos_nacionais_de_ensino_de_Fisica. Acesso em: 15 maio 2026.

SASSAKI, R. K. Inclusão: acessibilidade no lazer, trabalho e educação. Revista Nacional de Reabilitação, São Paulo, ano 12, p. 10-16, 2009. Disponível em: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/55508. Acesso em: 17 nov. 2025.

SILVA, F. C.; GONDIM, I. O.; SOARES, S. M. Ação multiplicadora: uma proposta de inclusão social e acessibilidade no contexto de uma universidade pública brasileira. Em Extensão, Uberlândia, v. 20, p. 147-161, 2021. DOI 10.14393/REE-v20n12021-57396. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/revextensao/article/view/57396. Acesso em: 17 nov. 2025.

WHO. WORLD HEALTH ORGANIZATION. World report on vision. Genebra: OMS, 2019. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/world-report-on-vision. Acesso em: 13 ago. 2025.

ZAGAR, M.; BAGGARLY, S. Simulation-based learning about medication management difficulties of low-vision patients. American Journal of Pharmaceutical Education, [S. l.], v. 74, n. 8, p. 1-7, 2010. DOI 10.5688/aj7408146. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC2987286/. Acesso em: 15 ago. 2025.

ZIESMANN, C. I. Inclusão de pessoas com deficiência visual em Instituições de Ensino Superior. Didácticas Específicas, Madrid, n. 13, p. 61–69, 2015. DOI 10.15366/didacticas2015.13.005. Disponível em: https://revistas.uam.es/didacticasespecificas/article/view/2680. Acesso em: 14 ago. 2025.

Downloads

Publicado

01-07-2026

Edição

Seção

Relatos de Experiência

Como Citar

GARDINI, Giovanna Garcia; SILVA, Lorrane Francisco Pereira da; ROCHA, Flávio Jaime da; MOYA, Silvana Terezinha Figueiredo; MORONI, Fábio Tonissi. Cegueira e baixa visão em foco: relato de experiências, reflexões e resultados de um workshop de capacitação. Revista Em Extensão, Uberlândia, v. 25, n. 1, p. 263–279, 2026. DOI: 10.14393/REE-2026-80468. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/revextensao/article/view/80468. Acesso em: 2 jul. 2026.