“Em nome da moralidade”
Gênero, educaçãoe domesticidade da mulher na imprensapiauiense (1869-1944)
DOI:
https://doi.org/10.14393/Palavras-chave:
Imprensa Piauiense; Domesticidade Feminina; Educação Moral e Disciplinamento; Colonialidade do gênero; Feminilidade normativa.Resumo
Este artigo analisa como a imprensa piauiense, entre a segunda metade do século XIX (1869) e as primeiras décadas do século XX (1944), atuou como instrumento de formação moral e disciplinamento, regulando e normatizando os papéis sociais atribuídos às mulheres, em especial às de classe baixa, negras e rurais. A partir de periódicos como matérias, colunas, editoriais e anúncios publicados em periódicos como O Piauhy (1869), A Imprensa (1925), O Apostolo: Orgam Official da Diocese (PI) (1907), A Borboleta: Mimo ao bello sexo (PI) (1888), O Papyro (1884), Diario do Piauhy: Orgão Official dos Poderes do Estado (PI) (1911), Correio de Oeiras: Jornal dos interesses geraes (PI) (1909), A Ressurreição: Jornal Literário do Piauí (1887), Gazeta Piauí (1908), A Reforma (1887), A Epoca: Orgão Conservador (PI) (1878), O Monitor (PI) (1908), A Andorinha (1912) e O Tempo (PI) (1915), busca-se compreender os mecanismos discursivos que consolidaram um imaginário de domesticidade feminina ancorado na moral cristã, na autoridade masculina e na invisibilização das experiências femininas subalternizadas. A análise evidencia a imprensa como dispositivo de poder que construiu e reforçou a imagem da mulher ideal no Piauí, ao mesmo tempo que silenciou práticas e vozes dissidentes.
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